sábado, 30 de setembro de 2017

Medicina desumana

 A ROBOTIZAÇÃO E  DESUMANIZAÇÃO DA MEDICINA.
João Joaquim 

A diferença em qualificação tecnocientífica entre um médico que se forma hoje e aquele que se formou há 50 anos é enorme. E abaixo vem as razões. Há 50 anos não se dispunha da sofisticação de exames que temos atualmente. Nos idos de 1950 e 1960 o arsenal de exames imunobiológicos, hematológicos e de imagens era muito restrito.
Essa carência tecnológica de exames complementares em décadas passadas exigia do profissional de saúde uma formação mais aguçada como clínico; qualquer que fosse a sua especialidade. Especialidades médicas que aliás eram poucas. Na falta de muitos exames laboratoriais o médico se via na obrigação de ter um apurado raciocínio semiológico . Para tanto duas disciplinas na formação médica eram capitais: semiologia e fisiologia( fisiopatologia).
Uma semiologia padrão se inicia através de uma minuciosa anamnese (entrevista). É o  momento   em que deve-se dar liberdade à livre expressão do paciente. Oportunidade em que o médico escutará (escutatória) atentamente cada queixa, sentimento, sintoma e relato do doente. Trata-se de uma fase significativa da consulta médica na qual o profissional já inicia uma análise, um juízo, uma presunção diagnóstica da pessoa.
Terminada a anamnese vem a segunda etapa igualmente importante que é o exame físico. E neste expediente da consulta eu me detenho e exalto a sua importância. Ele representa um item lapidar na consulta de qualquer especialidade.  Com  um exame físico ético, isento e altamente técnico o médico tem a oportunidade de avaliar a natureza do quadro clínico, a intensidade da doença, o diagnóstico anatômico e até a causa (agente etiológico) da afecção motivadora da consulta.
Com os avanços e aprimoramento nas técnicas diagnósticas tem havido, na mesma proporção , um declínio na formação, na aptidão e na capacitação clínica do profissional. O que representa uma perda na formação ou vocação humanística do médico. O que é lamentável. Pelo que assistimos hoje, o estudante de medicina já inicia o curso visando uma especialidade.
O recém formado sai da faculdade certo de que terá ao seu dispor um cardápio enorme de exames. Muitas vezes esse egresso do curso de graduação pouco ou nada conhece dos métodos diagnósticos no mercado médico. O que representa uma distorção em sua formação. Como eu solicito uma tomografia sem contraste, se eu não tenho conhecimento dessa técnica diagnóstica? O que ela vai me revelar? Quais suas limitações, contraindicações e riscos de agravo à saúde? Parece uma insanidade profissional, indicar um exame sem o domínio de sua técnica, e o que pode acrescentar numa boa consulta.
Cada exame complementar se torna significativo e de boa relação custo/benefício, na medida em que haja uma boa correlação clínica na sua prescrição. Nesses tempos da digitalização em tudo, tenho visto um despreparo e imprudência generalizada no emprego de exames complementares. Há profissional de saúde que tem o desplante de frente a uma pessoa hígida, saudável em tudo; solicitar uma lista de 30 ou 40 exames de sangue, sem nenhum critério, sem nenhum dado clínico( sintomas) que os justifique. Charlatanismo puro. Imagine esse cenário, muito encontradiço: paciente jovem, sem nenhuma doença ou queixa submeter a dosagens de vitaminas , minerais, exames de tireóide, enzimas hepáticas, imunoensaios para vírus hiv, hepatites, sífilis , doenças inflamatórias; considerando que este cliente não tem nenhum dado semiológico ou epidemiológico , nenhum comportamento ou fator de risco para realizar esses exames. São situações frequentes nos laboratórios.
Sem mais delongas três conselhos eu deixo para os colegas de profissão, sobretudo aos noviços e iniciados.
Primeiro: humildade, consciência e aceitação de que ninguém, nenhum médico sabe tudo que deveria saber. Na dúvida peça ajuda a quem sabe mais. Médico não é magico e nem é Deus; alguns consideram infalíveis. Vaidade pura.
Segundo: clareza na comunicação ao doente e familiar, sobre a impressão diagnóstica na primeira consulta.
Terceiro: moderação e muito critério na solicitação de exames e na  prescrição de medicamentos e/ou  qualquer outra terapia.
O que temos visto hoje são médicos com precária formação clínica, conhecimento insuficiente em semiologia médica, pouca escuta e exame físico superficial do  paciente. Enfim, relação médico/paciente desumanizada e artificial. São profissionais que escutam pouco e mal põem a mão no doente. E para se chegar ao diagnóstico há uma exagerada e inapropriada solicitação de exames.
O expediente de muito exame se torna em uma Medicina fria, maniqueísta, robotizada e desumana, o que  empobrece a relação com o doente e encarece o tratamento. São efeitos colaterais na saúde e no orçamento. O que  desmerece ainda mais a profissão  praticada nos tempos das tecnologias de ponta e digital. Dessa forma são médicos que parecem despachantes de saúde, tal a falta de habilidade e pobreza no raciocínio clínico das queixas e achados alterados num exame físico bem feito.  Outubro  /2017.  

João Joaquim - médico - articulista DM   facebook/ joão joaquim de oliveira  www.drjoaojoaquim.blogspot.com - WhatsApp (62)98224-8810 

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

CRIMES DE JOVENS

OS CRIMES INFANTOJUVENIS VEM DA MÁ EDUCAÇÃO FAMILIAR E DAS DOENÇAS PSIQUIÁTRICAS OMITIDAS PELAS FAMÍLIAS

João Joaquim 


Uma questão social e comportamental que tem preocupado as famílias e a sociedade tem sido o envolvimento de adolescentes e jovens na prática de crimes contra a vida. São ameaças, lesões corporais e a consumação de muitos desses delitos. Muito tem se discutido sobre tais questões. O que representa o bullying nesse contexto? Os jogos eletrônicos de violência;  o consumo de drogas ilícitas; O papel da chamada educação familiar; e as doenças psiquiátricas.
Na digressão desta temática e para facilitar nosso raciocínio, vamos dividir tão grave questão em dois módulos, a) as causas socioeducativas e b) as causas por distúrbios patológicos do comportamento /ou os transtornos  psiquiátricos.
No conceito  de educação não custa relembrar que o homem é fruto do meio social onde nasce e vive, onde é educado, enfim ,onde recebe as primeiras impressões sensoriais que o marcarão para sempre.
Em matéria tão importante ficam aqui as teses do empirismo de Francis Bacon( 1561-1626) John Locke(1631-1704) e David Hume(171-1776). Esses três grandes filósofos contrariam as teorias de Platão e de Renê Descartes para os quais o indivíduo já nasce com ideias inatas (teoria do inatismo).
Ora, torna-se de fácil entendimento, conforme explica John Locke, que a criança ao nascer tem o seu cérebro comparado a uma lousa em branco (tabula rasa). É bem perceptível que o aprendizado mais rudimentar e a linguagem são dominados de forma repetitiva e paulatina. E assim ocorre com toda percepção sensorial, com todo o comportamento social e aquisição dos conhecimentos que são dispensados e propostos a essa pessoa em formação, por isso criança (de criar, criantia).
Com fundamento nessas premissas da vida cotidiana de cada família, de cada pessoa, torna-se de fácil e simples aceitação que o indivíduo é fruto sobretudo de sua educação de berço, dos pais, dos cuidadores, de seus primeiros referenciais que são esses parentes. Que sejam na maioria das vezes o pai e/ou a mãe, os avós ou outros cuidadores e responsáveis. Não importa quem educa !
O que se tem de certo e muito robusto é que esses primeiros responsáveis, criadores e tutores inscreverão, gravarão, plasmarão e determinarão se essa cria, essa criança trilhará o caminho do bem, do mais ou menos bem, ou do mal. Cumpridas todas essas diretrizes na educação de uma criança até a idade adulto, se ela se desviar de uma conduta honesta e cidadã, provavelmente essa pessoa tem alguma doença social, comportamental ou psiquiátrica. E as estatísticas e censos são incapazes dessa quantificação por culpa das próprias famílias que omitem ao máximo tais casos  pelo estigma e preconceito que esses transtornos trazem.
Uma outra tese que temos que admitir é que a criança é uma semente em potencial para o bem ou para o mal. Ela se inclinará para um ou outro polo a depender dos estímulos recebidos. Ou seja, do processo educacional iniciado na fase do berço e da chupeta. As escolas e seus métodos pedagógicos terão um papel complementar, sobretudo na imposição de disciplina e limites, no ensino de ética e honestidade.
Quanto à violência e crimes relacionados com bullying. Trata-se de uma forma de discriminação, de preconceito em enxergar no outro algum detalhe ou diferença anatômica, um comportamento ou gestual discordante com o “padrão”. Vale ressaltar que muitas vezes tal reação de rejeição do outro vem de um comportamento familiar. Nenhuma criança ou adolescente traz esse comportamento inato, gravado nos seus circuitos cerebrais. Ele é um comportamento aprendido de casa. Ninguém nasce com a vocação da rejeição.
Quanto aos games e jogos com teor de violência; como exemplo o ainda praticado jogo da baleia. Trata-se da maior insanidade e demente permissão a um adolescente ou jovem. Uma bestialidade e insensatez no rosário de besteiras que oferece o mundo dos games e jogos eletrônicos.
Que diversão demoníaca é essa onde o jovem é desafiado ao suplício, a automutilação, culminando até ao suicídio? Só mesmo na mente de um criador psicopata e mentecapto poderia se concretizar tal invenção, deveria se possível ser segregado do convívio social porque está a serviço do crime, da violência e deturpação das mentes dos usuários dessa monstruosidade “ lúdica”.
Por fim as questões de violência e crimes tendo como causa as doenças comportamentais  e psiquiátricos. É bem sabido e certo que toda psicopatia traz um enorme estigma social.
A própria depressão e o transtorno de ansiedade já trazem em si uma rejeição, uma omissão, uma subnotificação, por culpa dos familiares de seu portador. São doenças muito prevalentes e que geram um certo preconceito no meio social e profissional do portador.
Agora, imaginemos as doenças psiquiátricas de maior impacto social e emocional e de pior prognóstico. São os diagnósticos por exemplo de uma esquizofrenia, transtorno bipolar, personalidade psicopática. São distúrbios psiquiátricos que as famílias não aceitam nos seus sintomas iniciais. Muitos casos só se tornam conhecidos e tratados após algum episódio de grave agressão física ou assassinato.
Um portador de  esquizofrenia ou de conduta antissocial tem o mesmo potencial pernicioso e de violência que um pedófilo ou estuprador. Será que alguém em sã consciência tem dúvida da mente patológica desses tipos aqui referidos. De igual forma  com aquele que comente feminicídio motivado por um ciúme doentio, como assistimos tanto em nossos dias e noticiados nos jornais, redes sociais e televisão.
A biologia, a psicologia e a psiquiatria não podem mais duvidar dessa triste realidade que, às vezes, é  subestimada e subnotificada pelas famílias e cuidadores.   Agosto/2017

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

ORGIAS NO COMER

AS BACANAIS E AS  DIONISÍACAS DO COMER E BEBER PELO PRAZER
João Joaquim  
Dentre as muitas imbecilidades e sandices a que assistimos na intitulada era moderna tem-se o  hábito alimentar das pessoas. A alimentação , conforme  define o próprio verbete deveria ser uma conduta nutritiva e promotora de saúde se transformou em um fator de risco para muitas doenças, como as cardiovasculares, metabólicas, endócrinas, afecções ligadas ao colesterol e a tão disfuncional, deformante e discriminatória obesidade.
O comportamento alimentar mórbido tem causas variáveis. Entre esses podem-se destacar a educação familiar das crianças e as propagandas impositivas (persuasivas, aliciantes) de produtos alimentares, muitos de péssimo valor nutricional.
Tem-se como de grande significado a correta educação alimentar infantil; e tal prática deve se dar desde o nascimento. A primeira grande orientação que se faz às mães é a aleitamento materno exclusivo até os 06 meses de idade. Outro erro a se evitar é nunca oferecer certos sabores, condimentos e alimentos exóticos  à criança até os 5 anos de idade. Como exemplos açúcares, chocolates, frituras e guloseimas. Tal prática condiciona o sentido gustativo da criança a preferir tais alimentos aos mais naturais e saudáveis.
E lamentavelmente são práticas recorrentes em nossa sociedade. Os doces, biscoitos e chocolates se tornaram iscas e lenitivos para as crianças quando choram e fazem birras. Tais alimentos insalubres e nocivos se tornaram aliados e calmantes para mães, babás e avós que não têm paciência e não sabem mais balançar, acalentar ,  brincar e acalmar os pequenos infantes. E para tanto não faltam criatividade e marketing das indústrias de alimentos com seus atrativos e engodos para a criançada. O que vale nesses produtos é o atiçamento, a provocação do prazer do paladar; assim , os açucares, gorduras e massas são os preferidos dos pequenos.
Partindo então desta premissa: uma criança que recebe uma dieta saudável tem muita chance de se tornar um adulto de hábitos alimentares saudáveis. Condutas tais que se repicará na prole seguinte. O reverso dessa assertiva é também verdadeiro. Uma criança, um filho cujos pais ou cuidadores são desregrados e imoderados na alimentação tem tudo para se tornar um adulto “mal educado” no trato alimentar. Em outros termos, essa criança está sujeita não somente  à obesidade bem assim a todo o espectro patológica que carreia o excesso de peso, tais como diabetes, colesterol alto, hipertensão, distúrbios glandulares, desregulação hormonal, etc. Hoje, se sabe que até a puberdade e a maturação sexual podem ser alteradas com uma dieta desbalanceada e o excesso de peso na infância.
Muitas têm sido as discussões  (teses) do por que do hábito alimentar patológico da sociedade moderna (pós industrial da era digital). Dentre tantas ideias temos que a “alimentação” passou a ser um marcador de prazer, um status social, um subterfúgio para os transtornos de ansiedade, um entretenimento e diversão etc.
É natural que assim como nos deleitamos e nos sentimos bem na audição de uma boa música (sentido da audição) ou na contemplação de uma linda paisagem (sentido da visão), também sintamos prazer e gozo na degustação de um saboroso alimento e bebida. A questão que emerge aqui é o comedimento, a disciplina e o equilíbrio entre a função nutricional e o prazer do paladar na atitude alimentar. Essa harmonia condicionada pelo  prazer do alimento com o efeito nutricional pode ser buscado com disciplina e a qualidade do que se come.
Este é o segredo fundamental, no gesto de se alimentar, nutrir; e também ter um momento de deleite e de prazer. Ter prazer, alegria e felicidade são objetivos e fins em si mesmos buscados pelo ser humano. Todos temos esse sagrado direito.
O comportamento alimentar patológico se verifica de duas maneiras. Primeira, quando se tem na ingestão dos alimentos uma fonte única de prazer, “felicidade”, diversão etc.
Tal prática tem sido uma das marcas do homem moderno pós-industral. Em detrimento de outras fontes e meios de entretenimento o indivíduo rotineiramente tem no ato de comer uma forma de prazer, de festa, de divertimento, de alegria, às vezes, beirando a um comportamento orgástico e orgíaco. Uma cultura que lembra as bacanais  ou dionisíacas do deus grego dionísio( das festas , do vinho e da insânia )  , muito praticada pelas pessoas  na derrocada do Império Romano. A insanidade era tamanha que o indivíduo se empanturrava de comida , vomitava ,comia novamente, e ia se repetindo insanamente.
A segunda forma patológica de se alimentar se dá nos transtornos de ansiedade e depressão. O hábito de comer repetidamente se torna instintivo e um subterfúgio (fuga) dos sintomas e sentimentos negativos que afligem a pessoa.
Enfim, de fato é inegável que o hábito de alimentar pode e deve prevalecer como um momento de confraternização, de comemoração, de alguma festividade, de compartilhamento e alegria. Mas, não se pode de igual forma se transformar numa atitude de exclusivo prazer , de diversão , de comer por puro e simples prazer e deleite. O equilíbrio , como em tudo na vida, deve ser um gesto de elevada racionalidade e respeito à saúde e bem-estar global. Agosto/2017. 

João Joaquim - médico - articulista DM   facebook/ joão joaquim de oliveira  www.drjoaojoaquim.blogspot.com - WhatsApp (62)98224-8810



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

ENGORDA

https://impresso.dm.com.br/edicao/20170803/pagina/20

POR QUE NOS ENGORDAMOS TANTO ? VEJAM A RESPOSTA LENDO ESTE ARTIGO

A HISTÓRIA DA RELAÇÃO DO HOMEM COM OS ALIMENTOS
 João Joaquim 
A  relação do homem com os alimentos vem de priscas épocas. Alguém pode ver nesta frase uma certa tautologia. Decerto o homem tem nexo com o alimento desde o nascimento, seja de forma ontogenética ou filogenética. O que se busca com essa abordagem é mostrar como se deu essa evolução do bicho-homem com todo meio de subsistência nutricional.
Nos albores da história da humanidade as fontes de alimentos eram escassas e de difícil acesso. No que concerne aos vegetais, pode-se afirmar: muitas eram as opções de frutas, folhas, legumes e grãos. Tudo era natural e orgânico. E quanta vantagem! Não havia os tais agrotóxicos nem os tais dos geneticamente modificados. O certo é que a concorrência com a fauna (animais selvagens) era enorme. Mas, havia abundância de vegetais, por isso o equilíbrio era certo.
Uma questão complicada era a proteína animal. Isto em se tratando do homem primitivo ou das cavernas. Porque no abate de animais selvagens se empregavam as próprias forças ou ferramentas rudimentares da própria natureza. Pedra , arco e flecha, e armadilhas na caça e pesca, eram estas as ferramentas utilizadas. Enfim a busca por carne animal ou pescado era árdua e de alto risco. Ora o homem era caçador, ora se tornava caça de muitos predadores.
Já dando um grande salto para a idade média e desta para a moderna, muito se evoluiu em se tratando da ligação do homem com suas fontes nutricionais. Vieram a mecanização e o vasto emprego de ferramentas mais modernas. A produção agropecuária ganhou outro destaque na vida dos rurícolas e agricultores. Com o emprego do arado e adubos orgânicos (estercos) e químicos houve avanços na produtividade e qualidade na produção agrícola.
Saindo da produção agrícola com o emprego de ferramentas e mecanização, com a utilização de arados motorizados, semeadeiras e colheitadeiras chegamos na era da indústria alimentícia. E esta é o foco principal da presente matéria. Falar em revolução industrial alimentícia se torna imperativo trazer à lembrança a teoria malthusiana, do britânico T.R . Malthus (1766-1834).
Esse importante escritor e economista do século XIX afirmou que a fome e a miséria só seriam minimizadas com um rígido controle de natalidade e com abstinência sexual. De certo modo tinha razão o cientista porque em muitos países subdesenvolvidos a insegurança alimentar, a fome e a subnutrição constituem graves questões para esses povos. São nações com precárias políticas em se tratamento de planejamento familiar e controle de natalidade.
Agora ,  em se falando de países terceiro-mundistas e emergentes como o Brasil. A verdade real é que alimentos existem para todos em todos os  tempos. Pelas estatísticas do governo temos cerca de 14 milhões de desempregados. Se contar o número de subempregados e informais, essas cifras de pessoas atingem no mínimo 25% da população, ou mais de 50 milhões de bocas para alimentar.
 Enfim, a verdade real é que se produzem muitos alimentos, mas, da colheita até o consumidor se perde quase 40%. Perdas que dariam para alimentar de forma satisfatória a todos os brasileiros.
Uma outra gravíssima questão , que se mostra de muita insensatez ou sandice mental se refere ao grupo de pessoas de melhores posses e capacidade aquisitiva. Essa classe de pessoas tem no alimento, e nas bebidas uma fonte de alegria, prazer e “felicidade”. Elas comem muito mais do que o necessário, o exigido para o aporte nutricional. Disto resulta a epidêmica e mórbida obesidade. Se na África temos os desnutridos, aqui no Brasil temos os disnutridos ou os dismórficos corporais( prefixo dis com sentido de disfunção, doença). O nutrólatra ou o fagólatra  come tanto e desmedidamente que se torna em obeso dismórfico. Aí nem lipo, nem bariátrica resolvem porque as artérias e o coração estão cheios de gordura e colesterol.
O que adianta retirar a casca( nas cirurgias plásticas ) se o miolo e  o cerne da pessoa( coração e artérias ) estão repletos de placas de gordura e colesterol. Nesse caso o infarto é só uma questão de tempo. Que triste !  AGOSTO /2017. 


quinta-feira, 27 de julho de 2017

PIMENTA.... benefícios

Pimenta (Piri-piri)

Quem coloca a pimenta no dia-a-dia está levando, além de tempero,  uma série de medicamentos naturais: analgésico, antiinflamatório,  xarope, vitaminas, benefícios que os povos primitivos descobriram  há milhares de anos que agora estão sendo comprovados pela ciência.

A pimenta do reino faz bem à saúde e seu consumo é essencial para  quem tem enxaqueca. Essa afirmação pode cair como uma surpresa para  muitas pessoas que, até hoje, acham que o condimento ardido deve ser  evitado. A pimenta traz consigo alguns mitos, como por exemplo o de que  provoca gastrite, úlcera, pressão alta e até hemorróidas.. Nada disso  é verdade. Por incrível que pareça, as pesquisas científicas mostram  justamente o oposto! A substância química que dá à pimenta o seu caráter ardido é  exatamente aquela que possui as propriedades benéficas à saúde.

No  caso da pimenta-do-reino, o nome da substância é piperina. Na  pimenta vermelha, é a capsaicina. Surpresa! Elas provocam a liberação de endorfinas - verdadeiras  morfinas internas, analgésicos naturais  extremamente potentes que o  nosso cérebro fabrica! O mecanismo é simples: Assim que você ingere  um alimento apimentado, a capsaicina ou a piperina ativam receptores  sensíveis na língua e na boca. Esses receptores transmitem ao  cérebro uma mensagem primitiva e genérica, de que a sua boca estaria  pegando fogo. Tal informação, gera, imediatamente, uma resposta do  cérebro no sentido de salvá-lo desse fogo: você começa a salivar,  sua face transpira e seu nariz fica úmido, tudo isso no intuito de  refrescá-lo. Além disso, embora a pimenta não tenha provocado nenhum  dano físico real, seu cérebro, enganado pela informação que sua boca  estava pegando fogo, inicia, de pronto, a fabricação de endorfinas,  que permanecem um bom tempo no seu organismo, provocando uma  sensação de bem-estar, uma euforia, um tipo de barato, um estado  alterado de consciência muito agradável, causado pelo verdadeiro banho de  morfina interna do cérebro. E tudo isso sem nenhuma gota de álcool! 

Quanto mais ardida a pimenta, mais endorfina é produzida! E quanto  mais endorfina, menos dor e menos enxaqueca. E tem mais: as substâncias picantes das pimentas (capsaicina e  piperina) melhoram a digestão, estimulando as secreções do estômago.  Possuem efeito carminativo (antiflatulência). Estimulam a circulação  no estômago, favorecendo a cicatrização de feridas (úlceras), desde  que, é claro, outras medidas alimentares e de estilo de vida sejam  aplicadas conjuntamente. Existem cada vez mais estudos demonstrando a potente ação  antioxidante (antienvelhecimento) da capsaicina e piperina. Pesquisadores do mundo todo não param de descobrir que a pimenta,  tanto do gênero piper (pimenta-do-reino) como do capsicum (pimenta  vermelha), tem qualidades farmacológicas importantes. Além dos princípios ativos capsaicina e piperina, o condimento é  muito rico em vitaminas A, E e C, ácido fólico, zinco e potássio.  Tem, por isso, fortes propriedades antioxidantes e protetores do DNA  celular. Também contém bioflavonóides, pigmentos vegetais que  previnem o câncer.

Graças a essas vantagens, a planta já está classificada como  alimento funcional, o que significa que, além de seus nutrientes,  possui componentes que promovem e preservam a saúde. Hoje ela é  usada como matéria-prima para vários remédios que aliviam dores  musculares e reumatismo, desordens gastrintestinais e na prevenção  de arteriosclerose. Apesar disso, muitas pessoas ainda têm receio de consumi-la, pois  acreditam que possa causar mais mal do que bem. Se você é uma delas,  saiba que diversos estudos recentes têm revelado que a pimenta não é  um veneno nem mesmo para quem tem hemorróidas, gastrite ou hipertensão

DOENÇAS QUE A PIMENTA CURA E PREVINE 
Baixa imunidade - A pimenta tem sido aplicada em diversas partes do  mundo no combate à aids com resultados promissores.

Câncer - Pesquisas nos Estados Unidos apontam a capacidade da  capsaicina de inibir o crescimento de células de tumor maligno na  próstata, sem causar toxicidade. Outro grupo de cientistas tratou  seres humanos portadores de tumores pancreáticos malignos com doses  desse mesmo princípio ativo. Depois de algum tempo constataram que  houve redução de 50% dos tumores, sem afetação das células  pancreáticas saudáveis ou efeitos colaterais. Já em Taiwan os  médicos observaram a morte de células cancerosas do esôfago.

Depressão - A ingestão da iguaria aumenta a liberação de noradrenalina e adrenalina, responsáveis pelo nosso estado de  alerta, que está associado tb à melhora do ânimo em pessoas  deprimidas.

Enxaqueca - Provoca a liberação de endorfinas, analgésicos naturais  potentes, que atenuam a dor.

Esquistossomose - A cubebina, extraída de um tipo de pimenta  asiática, foi usada em uma substância semi-sintética por cientistas  da Universidade de Franca e da Universidade de São Paulo. Depois do  tratamento (que tem baixa toxicidade e, por isso, é mais seguro), a  doença em cobaias foi eliminada.

Feridas abertas - É anti-séptica, analgésica, cicatrizante e  anti-hemorrágica quando o seu pó é colocado  diretamente sobre a pele  machucada.

Gripes e resfriados - Tanto para o tratamento quanto para a  prevenção dessas doenças, é comum recomendar a ingestão de uma  pequena pimenta malagueta por dia, como se fosse uma pílula.

Hemorróidas - A capsaicina tem poder cicatrizante e já existem  remédios com pimenta para uso tópico.

Infecções - O alimento combate as bactérias, já que tem poder  bacteriostático e bactericida, e não prejudica o sistema de defesa.  Pelo contrário, até estimula a recuperação imunológica.

Males do coração - A pimenta caiena tem sido apontada como capaz de  interromper um ataque cardíaco em 30 segundos.. Ela contém  componentes anticoagulantes que ajudam na desobstrução dos vasos  sanguíneos e ativam a circulação arterial.

Obesidade - Consumida nas refeições, ela estimula o organismo a  diminuir o apetite nas seguintes. Um estudo revelou que a pimenta  derrete os estoques de energia acumulados em forma de gordura  corporal. Além disso, aumenta a temperatura (termogênese) e, para  dissipá-la, o organismo gasta mais calorias. As pesquisas indicam  que cada grama queima 45 calorias.

Pressão alta - Como tem propriedades vasodilatadoras, ajuda a  regularizar a pressão arterial.

- Bom, né?. 

domingo, 25 de junho de 2017

Drogas de peso

Consequências do Uso de Drogas Para Emagrecer


Geralmente, depois da interrupção do tratamento com esse tipo de composição de fórmulas para emagrecimento, que muitas vezes são prescritas como sendo naturais, é preciso cuidado redobrado.
Quem consumiu remédios para emagrecer costuma engordar mais do que antes e apresenta mais dificuldade para perder peso, já que, depois de uso continuado da anfetamina, o metabolismo fica lento e a capacidade de queimar gordura diminui. Inibidores de apetite em conjunto com medidas de reeducação alimentar e atividades físicas podem ter papel importante no tratamento da obesidade, mas seu uso não pode ser vulgarizado.
Quem quer emagrecer precisa de acompanhamento médico sério, com enfoque multiprofissional.
A melhor solução para um emagrecimento saudável e definitivo requer a adoção de alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos regulares. Além da mudança de hábitos e, claro, muita persistência.
Você é Mais que Seu Corpo
O corpo não é apenas um suporte, é a raiz identificadora, nossa comunicação com o mundo. Faz parte da individuação plena. A vaidade não só é necessária como também é um importante recurso de autoestima, desde que não ultrapasse o limite saudável do psiquismo.

terça-feira, 20 de junho de 2017

PESO médio ou Pesado....

Sedentarismo, obesidade e previdência
O sedentarismo é de longe a principal causa da obesidade. Poucas ações, incluídas no dia a dia já ajudam a combater o sedentarismo
obesidade é um dos maiores problemas sociais dos tempos modernos. Com a evolução da tecnologia, o homem diminuiu o seu gasto calórico diário. Não levanta mais para atender o telefone, mudar a televisão de canal, usa elevadores, escadas ou esteiras rolantes, as malas tem rodinhas,  as cadeiras de escritórios tem rodinhas. No carro, já sentado, a direção é hidráulica, o câmbio automático e para abrir o vidro basta somente apertar um botão! E claro. Pede-se comida em casa!
Estima-se que cerca de 52% da população brasileira esteja com sobrepeso, 55% dos homens e 49% das mulheres. No geral, 17,5% de homens e mulheres são obesos. Sedentários são os povos que deixaram de ser nômades e se fixaram em um lugar para viver. Isso ocorreu há 10.000 anos e possibilitou o avanço da agricultura e da domesticação dos animais trazendo muita prosperidade, mas não precisávamos exagerar.
Sedentarismo e obesidade
O sedentarismo prevalece em 41% dos homens e 50% das mulheres. Talvez mais alarmante, 33% dos jovens entre 15 e 19 anos. Ne meia idade, a taxa sobe para 53,5% de 45 a 54 anos e para 64,4% de 65 a 74 anos. Ser sedentário significa gastar menos de 10% do que se ingere diariamente. Se a ingestão é de 3.000 calorias, é gastar menos do que 300 calorias.
Caminhar no shopping por 20 minutos gasta 120 calorias. Tocar corneta por meia hora já gasta 60 calorias ! Mais a briga com o vizinho, deve chegar bem perto. Brincadeiras a parte, ser sedentário é ser extremamente inativo. É ficar o dia todo parado. Não há nenhuma justificava para isso. Apesar das diversas causas de obesidade, o sedentarismo é de longe o principal fator.
A obesidade é um dos principais fatores de risco da doença coronariana, mas também contribui para diversas alterações orgânicas. Como:
·         Colelitíase
·         Artropatias
·         Varizes
·         Hérnia de hiato
·         Dermatopatias
·         Desajustes psicológicos
·         Aumento da incidência de câncer cólon, útero e próstata
·         Insuficiência respiratória, ronco, apneia do sono e diminuição da capacidade vital
·         Hipertensão arterial
·         Resistência à insulina
·         Aumento da incidência de morte súbita.
·         Diminuição da capacidade cardiovascular e respiratória
·         Diminuição da flexibilidade e da força muscular
·         Alterações posturais
·         Sobrecargas articulares
·         Alterações do equilíbrio e coordenação
·         Piora da eficiência nas atividades motoras.
Conscientização é fundamental
A introdução de um programa global, com orientação nutricional, apoio psicológico, tratamento clínico e/ou cirúrgico e um programa de atividades físicas é a melhor forma de se combater a obesidade. A conscientização é fundamental para o sucesso do programa.
Os programas de condicionamento físico devem seguir os mesmos princípios utilizados para a população geral, respeitando-se as limitações individuais e com atenção aos processos patológicos associados em função do sobrepeso.Pequenas lesões, mesmo sem gravidade implicam na interrupção dos treinamentos e na quebra da sequência.
Apesar do objetivo primário do programa de exercícios ser o aumento do gasto calórico total, no início esse gasto será pequeno, mas vai estimular o organismo, despertar os processos metabólicos, adormecidos até então. Isso melhora a forma como o corpo lida com os alimentos, como absorve, como excreta e como armazena as gorduras, os açucares e as proteínas. Deve também promover os mais variados estímulos, isto é, resistência, força, elasticidade, bem como a solicitação dos diversos grupamentos musculares.
Os benefícios da atividade física são inúmeros, porém eles ocorrem em longo prazo, e, portanto, os exercícios devem ser ao mesmo tempo eficientes e motivantes, para que se garanta a adesão ao programa de treinamento. Da mesma forma, a dieta. Grandes restrições são difíceis de serem mantidas.

A ideia fundamental é a mudança de comportamento, dos hábitos de vida, ou melhor dizendo, é a adoção de um novo estilo de vida, para sempre. Afinal é preciso viver mais, para conseguir pagar e usufruir a aposentadoria!

A vocação do cuidado

  De repente vêm surgindo ramos de estudos sobre alguns sentimentos humanos. E muitos desses ensaios, pesquisas sociais, antropológicas e ps...