terça-feira, 6 de agosto de 2019

HIGIENE

UM PAÍS DE SUJISMUNDOS E PORCALHÕES
JJOAQUIM

Uma do que deveria ser das marcas do homem civilizado se chama higiene. A palavra vem do grego hygeia e designava a deusa da saúde. Ela tem tanto significado no estado sanitário do ser humano como de qualquer animal que pode ser considerada uma especialidade ou disciplina da medicina. E aqui vêm as explicações. Na história da saúde e medicina grandes foram os vultos da fisiologia e da medicina que dedicaram a tais questões. Hipócrates, tido como o primeiro ícone e pai da medicina já dava importância aos elementares expedientes do uso da água e limpeza na prevenção de agentes nocivos, virulentos e causadores de infecção, contaminações, miasmas e gangrenas.
E assim foram com muitos outros cientistas da biologia, da microbiologia, da química e da medicina. Como lembrança, temos os casos de Paracelso, de Vesalius, de Lovoisier e de Luís Pasteur. Foram próceres nas áreas de higiene, saúde pública e medicina.
Em prol da higiene como grande protagonista na saúde humana e animal basta ter em conta quais são os três grandes grupos de doenças de causa- mortis: as cardiovasculares, as degenerativas (câncer) e as infectocontagiosas. Quando se fala no nexo higiene e saúde, pode̶ se afirmar que ela tem relação com todas as doenças. Porque ela não se limita ao simples gesto de lavagem de mãos, aos banhos diários, à lavagem de indumentária, à escovação  de boca e limpeza de objetos ou esterilização de instrumentos de uso pessoal.
A higiene engloba todas essas atitudes como principais regras mas também a busca da qualidade dos insumos alimentares. Dentre esses quesitos da nutrição tem-se o princípio da qualidade do que ingerimos. A higiene alimentar se funda nos efeitos na saúde de cada componente ou componente ativo (nutricional) dos alimentos. Neste sentido a higiene estará direta ou indiretamente relacionada com todas as doenças que afetam o organismo humano.
Nessa perspectiva citemos alguns modelos das doenças mais encontradiças. Doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, infarto do miocárdio, derrames cerebrais. Doenças renais crônicas, calculose renal, infecções urinárias. Doenças degenerativas, câncer, fibromialgia, neuropatias, demências, mal de Alzheimer.
Doenças causadas por agrotóxicos e inseticidas. Estas constituem um espectro amplo de variadas doenças crônicas de difícil estudo e estatística que vêm sendo alvo de constantes preocupações e embates de ambientalistas, medicina de saúde pública , agricultores e indústria de alimentos de toda ordem.
No campo das moléstias infectocontagiosas é que de fato a higiene se mostra de enorme relevância. O corpo humano com sua pele, mãos, pés, boca e orifícios representam fontes e vetores dos germes mais virulentos e patogênicos. A lavagem de mão com água e sabão ou álcool gel representa gesto protótipo  e padrão na higiene corporal diária. Enumeremos os erros ou falta de higiene mais comezinhos na rotina das pessoas. Êi-los :
 Entrar num sanitário, deixa-lo sem descarga e sair dali sem lavar as mãos e se possível até as partes íntimas. Mais grave do que isto , pegar na mão de outra pessoa ou em talheres e alimentos. Comer qualquer fruta ou verdura e outro alimento não esterilizado sem prévia lavagem com água e sabão ou até solução de cloro (água sanitária) ; guardar frutas e verduras na geladeira sem lavagem prévia. Entre outros gestos de absoluto desprezo com banho, limpeza e higiene. Lamentavelmente vivemos em um país de sujismundos e porcalhões. Ninguém embala os lixos produzidos, ninguém cuida dos ambientes domésticos e públicos e que se danem os outros usuários.

SUS(to) nas filas


SAÚDE PÚBLICA

Quando lemos a nossa constituição federal (CF -1988), fica a parecer um conjunto de normas e regras de ficção cientifica. Tal sensação assim se nos revela porque uma questão posta é o que lá está consignada, outra questão é a materialização daqueles direitos. Para tanto basta fazer uma análise do artigo 5º, onde se trata das garantias dos direitos fundamentais. A começar pela dicção de que todos são iguais perante a lei. Quanta mentira, quanta ironia, quanta hipocrisia. Como um dia discursou o ex senador e jurista Rui Barbosa :  “O reino da mentira- mentira na terra, no ar, até no céu. Mentira nas mensagens. Mentira nos relatórios. Mentira nos inquéritos. Mentira nas garantias. O monopólio da mentira” (discurso do próprio Rui, como candidato a presidente-1919).
Quando se fala em garantia de direitos fundamentais basta ter em conta três direitos básicos de qualquer cidadão: saúde, educação, segurança pública. Só de começo, se o indivíduo precisar de um socorro médico célere, ético e eficaz pelo SUS ele tem grande risco de morte. Para se ter uma educação de qualidade para os filhos poucas são as escolas que oferecem um ensino de ponta; os pais que  desejar uma educação digna vão arcar com o alto custo de uma escola privada.
 E a segurança pública?  Tanto como pedestre ou dirigindo o próprio carro o cidadão tem alto risco de assalto e ainda ter o veículo roubado e ser assassinado.
Em se tratando de saúde pública e direitos à assistência médica. Essa área posso literalmente falar de carteirinha porque trabalho nela  por mais de 30 anos em um hospital público e sofro na pele o que passa um paciente SUS.

Vamos tomar Goiânia como modelo de  alguns hospitais públicos  . Comparada com outras grandes cidades possui uma infra-estruta de saúde razoável. Tomando os seus quatro grandes hospitais SUS  -Hugo, Hugol, Hospital das Clínicas-UFG, Santa Casa. Esses hospitais têm estrutura melhor do que muitos hospitais privados. Um corpo clínico e recursos diagnósticos e de assistência altamente capacitados e eficazes. Mas, aí vem a grande questão, o acesso a esses serviços , notadamente quando for uma demanda seletiva, não de urgência. E, as vezes, mesmo numa emergência o paciente morre e fica com sequelas pela demora no atendimento.
Basta tomar os casos de uma assistência médica não urgente, mas necessária. Consultas em pediatria, em ginecologia e obstetrícia e cirurgia geral. Quantas pessoas (crianças, gestantes, idosos) necessitam dessa modalidade assistencial e não conseguem ? 

São milhares na fila de espera.
Uma outra grave questão enfrentada pelos usuários do sistema (SUS) refere-se à antipática e repelente burocracia (burrocracia). São as chamadas jabuticabas ou idiossincrasias brasileiras.
Nesse sentido eu concluo relatando um feito de minha lavra.
Dia desses, um senhor de 70 anos me procurou porque não conseguia atendimento pelo SUS. Graciosamente o atendi. Não era uma situação de urgência, mas alguns exames eram necessários para mais clareza no  diagnóstico. E assim fiz os pedidos (exames triviais). Ato continuo, eu o orientei que fosse a algum CAIS para autorizar o procedimento.
E qual não foi a surpresa ?  No cais procurado,o paciente obteve a negativa da autorização dos pedidos, com a justificativa de que os exames não tinham sido solicitados por alguma unidade de saúde pública. Enfim porque o usuário não estava regulado no sistema SUS.

Só não é hilário porque a situação soa trágica, ter que conviver com jabuticabas e pérolas dessas em nosso país, chega a nos ameaçar perder as esperanças que um dia possa melhorar, porque é esperar demais por coisas muito simples.  Junho/2019.


cerebral

NOSSO CÉREBRO É BOM E PERVERSO AO MESMO TEMPO
JOAO JOAQUIM

Nosso cérebro é um dos órgãos mais fantástico de todo o nosso sistema corporal. Tanto assim que a ciência tenta ao menos imitar o seu funcionamento. Mas ele não tem só virtudes. Quantas não são as doenças neurológicas que continuam sendo um enigma para a medicina? Quantas não são as doenças mentais incompreendidas pelas ciências. A própria mente das classificadas pessoas normais continua sendo um mistério para os pesquisadores. Nosso cérebro também não é de muito labor. Trata-se de um órgão preguiçoso. Ele não gosta de gastar energia. Não sem motivo gosta de ao menos umas 8 horas de sono por dia.
Uma outra característica bem peculiar de nossa prodigiosa máquina é o fenômeno intitulado acomodação. Trata-se de um mecanismo de adaptação a uma condição ou estado de não bem estar, nocivo, insalubre, enfim anormal e desconfortável. Paradoxal , mas é isso mesmo. Mudar dá trabalho, gasta energia.
E quais são as características do intitulado fenômeno da acomodação? A principal é a latência de longo tempo. Uma outra de igual significado é a repetição ou continuidade do estado nocivo ou insalubre para gerar o fenômeno. Para mais clareza e materialização bastam alguns modelos.
Exemplo um. Imaginemos o indivíduo e sua estética corporal. Fosse possível a condição de a pessoa dormir e no dia seguinte ela se encontrar 20 kg ou 30 kg acima de seu peso normal. Certamente e com absoluta razão essa pessoa, de imediato, entraria em estado de pavor ou choque emocional, com exigência talvez de uma internação psiquiátrica.
Todavia, o mesmo ganho ponderal, ou mesmo em maiores percentuais em estágio até de uma obesidade mórbida, quando se faz de modo paulatino, de longo prazo, não traz nenhum dano ou abalo psíquico. Porque aqui sucedeu o fenômeno tão useiro e vezeiro da acomodação que ocorre em nosso sistema sensorial comandado pelo cérebro .
E assim ocorre com outros estados ou circunstâncias de natureza nociva, antissocial, insalubre e que traz algum dano físico ou psicológico à vítima.
São exemplos as relações humanas perturbadas e conflituosas, os assédios morais ou sexuais. A convivência continuada com pessoas de temperamento instável, de tratamento desrespeitoso e agressivo tem sido uma mostra bem robusta e típica do fenômeno da acomodação. A pessoa vai assumindo uma atitude de tolerância, de aceitação, de subserviência ao agente ou ambiente nocivo. E tem-se então para ela, a vítima , uma condição de naturalização daquela relação, do ambiente hostil e de submissão ao agressor e condição de exploração.
Uma outra condição ou estado onde se constata o tão estudado fenômeno da acomodação refere-se ao processo de envelhecimento. Para tanto vamos imaginar que pudéssemos envelhecer uma pessoa em 10 anos de forma acelerada. O indivíduo iria para o seu leito, se ele adormecesse e acordasse 10 anos mais idoso que a noite anterior. Ao se olhar no espelho no dia seguinte, certamente que essa pessoa iria sentir profundamente sobressaltada pelas rugas e cabelos brancos a mais. Ou talvez até já sem cabelos (alvo). Um choque emocional e profunda tristeza.
Haveria, à semelhança da obesidade aguda um enorme pavor, uma crise aguda de depressão, muito sofrimento psíquico e necessidade imediata de tratamento psiquiátrico.
Por que o envelhecer lento e paulatino não causa nenhum espanto, nenhum sofrimento? Porque lenta, gradual e paulatinamente tem-se o tão protetor fenômeno da acomodação. E assim se dá com inúmeras outras condições na vida, nos ambientes de convivência humana. Basta um olhar atento às pessoas, à nossa volta  , e constatar o quanto muitas delas passam pelo fenômeno da acomodação, a que muitos chamam também de comodismo ou zona de conforto. E então fica esse enigma de nossa prodigiosa máquina cerebral . Acomodar ao que é bom, prazeroso, saudável,  tem até muita coerência e compreensão. Mas, vá lá entender por que acomodar ao que é tão nefasto e nocivo para a vida e para a saúde da pessoa . Julho /2019.  

Somos desiguais


DIVERSIDADE PESSOAL
João Joaquim  
É maravilhoso e fascinante quando pensamos na diversidade humana: e essa variação ou diversidade abarca todas as características da pessoa. Para mais justeza e veracidade até os gêmeos ditos “verdadeiros” são desiguais. Eles têm muita semelhança, muita simetria, muita paridade e homologia, mas não são exatamente iguais.
Nesse sentido, quando falamos em diversidade humana não estamos referindo apenas às diferenças morfológicas das pessoas. A alusão aqui é sobremaneira nos aspectos psíquicos, emocionais, nos sentimentos, no comportamento, na índole e caráter que compõem cada indivíduo. Em termos objetivos cada um é composto de uma parte física (soma, somático) e uma parte anímica. Feitas essas definições, por demais óbvias e sucintas, discorramos sobre essas características anímicas a que também chamaremos comportamentais ou a caracterologia do indivíduo.
Quando analisamos a característica comportamental do indivíduo levamos em conta uma influência constitucional a que também pode ser desdobrada em genética ou hereditária. Tem-se também uma parte pós constitucional ou adquirida. O  que se tem de aceito e científico é que a pessoa é o resultado de sua constituição genética (ou hereditária) e do meio ambiente.
O conjunto anímico ou comportamental de cada indivíduo guarda muita analogia com os animais irracionais. São os instintos biológicos comuns aos humanos e não humanos.
Esquematicamente, para mais fácil compreensão, dois são os comportamentos na formação do sujeito. Imaginemos uma pirâmide. Na parte inferior temos o que se chamam os instintos inferiores da pessoa, muito semelhantes a qualquer animal. Na parte de cima da pirâmide têm-se todas as características mais nobres, a alma, o espírito, a razão;  o que nos diferencia de animais inferiores não pensantes. Façamos agora considerações sobre o comportamento do indivíduo, tendo em conta sua relação com o meio ambiente. Quando se refere a meio ambiente abre-se um espectro bem amplo de possibilidades: família, sociedade global, escolas, contatos pessoas, nexos sociais, etc. 
Numa analogia ou paralelo com a constituição física. A anatomia e cada órgão ou tecido do indivíduo são muito refratários a mudanças. A constituição genética então é muito imune a intervenções das ciências. Assim também se dá com a esfera psíquica ou comportamental do indivíduo. São as inclinações ou tendências inatas que cada um traz de sua geração desde a fase embrionária.
Quando se fala na constituição psíquica, em comportamento, na parte anímica e caráter do sujeito poder-se-ia perguntar: o que é normal? O que é patológico? Quais são os limites do caráter do indivíduo?  São perguntas de quase impossíveis respostas dentro do espectro da interação da pessoa com o meio ambiente. Uma  influência muito marcante refere-se a todo o complexo e longo processo educacional. Educar é moldar, transformar e construir a pessoa humana. 
Para contextualizar , algumas questões podem ser postas. A educação, o modo de agir, o comportamento do indivíduo podem ser moldados, modificadas com educação? Sim. Um consistente exemplo se vê com os padrões e condutas éticas de cada pessoa. Basta ter em consideração que todos nascemos aéticos. A grande ética, como a pequena ética, a etiqueta são aprendidas. A criança é desprovida de ética. Por isso já recomendava Aristóteles, o filósofo : A ética deve ser ensinada e praticada com as crianças. Todos os profissionais que trabalham com áreas  humanas devem estar continuamente preparados em relações humanas, em lidar, ajudar, compreender e cuidar de gente. E muitas vezes de gente fora do prumo, do eixo, das balizas de normalidade.
As diferenças entre as pessoas nos quesitos comportamento, atitudes, caráter, respeito são muito díspares. As disparidades são flagrantes. Muitos são os tipos de pessoas perturbadas, folgadas, aproveitadoras e conflituosas. Às vezes, de relações civilizadas e harmoniosas impossíveis. Desses modelos o melhor e mais aconselhável é um afastamento lento, cuidadoso e sem discordar. Do contrário as discordâncias podem ser destrutivas e letais. Em cada família, tem sido encontradiços esses tipos de caráter , de pessoas folgadas e dissipadoras. O melhor é o isolamento dessas personalidades e sem piedade, do contrário elas nos engolfam, nos sufocam.   Julho/2019.  

sábado, 1 de junho de 2019

Menos Comer e Não Morrer


A GULA E OUTROS PECADOS CAPITAIS

João Joaquim  


Na  religião cristã há   catalogados os sete pecados capitais.
Há uma classificação dos pecados segundo a tradição dessa lista;  os principais seriam os capitais como já citados , o original, o mortal e o venial.
Um pecado mortal é designado como aquela transgressão dos postulados divinos que leva à danação da alma; isto é, a  condenação da alma às penas do inferno. Há na literatura mundial duas obras emblemáticas nesse sentido. A Divina Comédia de Dante Alighieri;  e o personagem (protagonista) da obra e peça teatral Fausto,  de Goethe. De forma muito criativa e altamente inspiradora, esses dois autores mostram que tipo de danação e condenação podem receber as pessoas pelos pecados praticados. Fazendo aqui um adendo e um parêntese, eu fico a imaginar nos grandes pecados cometidos pela nossa elite política. Para quais círculos do inferno eles seriam enviados quando morressem ? Trata—se de um decisão muito difícil.  
Sobre a preguiça. Em muitos textos filosóficos ela é também designada por acídia ou acedia. Tem o sentido de inação, moleza, frouxidão, inércia, tristeza.
A preguiça pode ser melhor caracterizada por ausência total de iniciativa, falta de  mobilidade ou produção. É uma ociosidade absoluta, um não desejo de ação, um completo imobilismo em termos de gerar ou produzir alguma coisa. Há uma obra clássica brasileira que bem ilustra o que é a preguiça, Macunaíma, de Osvald de Andrade, editada em 1928. O protagonista da narrativa é o homônimo da obra, o Macunaíma. Além de representar o anti-herói ele é a pessoa em preguiça. “Ai que preguiça” é o seu bordão quando incitado a dizer ou fazer alguma coisa. Trata-se de um livro e linguagem de complexa compreensão mas que vale a dedicação  a sua leitura.
A ira. Quando se fala em ira temos que distinguir algumas formas. Nesse sentido até Deus, segundo as escrituras sagradas pode sofrer ira, seria a ira santa. Entre os humanos pode existir o que se denomina a ira racional e a ira raivosa, colérica, um desejo incontido e contínuo de vingança. Nos dois casos, imagina um governante ou chefe que praticou algum crime político, alguma improbidade administrativa, algum assédio moral ou sexual.  
Agora imaginemos no segundo caso, da ira,  ou raiva colérica. Muitos vezes, o indivíduo ante uma pequena ofensa ou distrato, desenvolve uma ira vingativa contra o detrator. Esse exagero irado, sim, se torna um pecado capital.
A avareza — Tal pecado é também inqualificável. Refere-se ao excessivo e sujo apego aos bens matérias comprados pelo dinheiro. É a falta de generosidade, de compaixão, de se sensibilizar com qualquer opressão, necessidade e sofrimento do outro.
A luxúria ou lascívia não passa de um intenso gosto e a prática do desejo carnal, é a devassidão, a corrupção do ser humano ao ser dominado pelos seus instintos físicos, é prazer carnal e pura concupiscência( ops, a palavra em si já é feia).
O orgulho é outro pecado que pode de fato ser considerado um vício e defeito de caráter. Porque neste caso não passa de um sentimento de arrogância, de sentir exaltado e excelente por uma característica ou posse pessoal. Mas, pode também ser uma valor moralmente positivo quando decorre de algum feito ou consideração recebida de outra pessoa ou entidade.
À  luz da cultura e dos tempos de hoje, pode-se considerar a inveja em “santa inveja”, quando se busca repetir, mimetizar ou reproduzir um feito ou fato benfazejo. Pode ser em proveito próprio ou da sociedade. E tem-se a inveja maligna ou raivosa. Trata-se de um sentimento de raiva ou tristeza pelo bem ou felicidade do outro. Esta inveja pode gerar até ataque ou ofensas a outro por isso.
Por último a gula. Reporta-se ao excesso no ato de alimentar. Trata-se de um pecado que vem dominando o comportamento da humanidade.
O prazer ou pecado da gula tem gerado a grave pandemia da obesidade. Porque além da deformação anatômica ela traz um espectro gravíssimo de outras doenças como hipertensão arterial, diabetes, câncer e morte cardiovascular.
As pessoas não têm mais os alimentos como nutrição, mas como um prazer orgástico. Com isto eu fecho a matéria: diz-me o que come e o quanto come  e eu  lhe direi quando e de que vai morrer. Além da danação da alma pelo pecado capital. Março /2019

(De)Mentes..


MENTES PSICOPÁTICAS E DIABÓLICAS
João Joaquim  


Mais uma vez o Brasil e o mundo receberam assombrados a notícia de mais um ataque de sociopatas sociais. Foi  em  Suzano SP . Um fato de apavorar e estremecer ao mais empedernido dos corações. Dois malucos, de mentes refinadamente psicopáticas entraram armados num colégio com centenas de alunos e mataram 8 pessoas, entre alunos, funcionários de escola e mais um tio de um dos criminosos.
Diante da comoção nacional é comum os segmentos organizados da sociedade tomarem parte da grande questão da violência. Imprensa, OAB, grupos de direitos humanos, ministério público e órgãos de governo como protagonistas. Quais as causas de tanta violência? Que fatores geradores estão em jogo? O que fazer como prevenção? Entre outros debates.
Quanto à motivação dos autores falam-se em vingança por um sentimento de inferioridade, rejeição pela sociedade, sofrimento de bullying. Ainda são mencionados como motivo um subcultura dos agressores, influência de videogames com natureza violenta e bélica. Dentre os fatores influenciadores de violência levanta-se a possibilidade da imitação de outros atentados.
Quanto à causa material. No tocante a aquisição de armas de fogo e outros produtos e artefatos explosivos. Muito se tem debatido e opinado sobre a posse e porte de armas de fogo. Não há estudos conclusivos em garantir que a restrição de armas de fogo vá reduzir a taxa de homicídios, incluindo os atentados terroristas. A aquisição de todos esses artigos se torna fácil através da pirataria e mercado clandestino. Tudo se adquire no mercado paralelo e pela Internet. Um mundo sem restrições e sem controle de legalidade e licitude.
Considerações atinentes ao fator humano. Fica posta a emblemática pergunta: por que um indivíduo de aparência e comportamento normais chega ao absurdo do cometimento de um crime tão grave como o de um ataque em massa e assassinato coletivo, e num ato contínuo, o suicídio? Seria essa pessoa portadora de uma mente psicopática? Sofreria ela uma influência externa?
Dentre esses influenciadores acham muitos deles na internet. São grupos de pessoas que cultivam o ódio, a intolerância, o cometimento de atos terroristas e como ato final até o suicídio.  Um horripilante exemplo desses grupos de delinquentes virtuais é a deep web, cujos criadores e administradores já foram até presos.
A primeira, a fundamental e decisiva educação quem a faz é a família, os pais, os monitores e cuidadores domésticos. Aqui está constituído o meio social mais importante na formação ética, cidadã e cultural da criança; do adolescente e do jovem. É desse ambiente que sairá um cidadão bom ou ruim, um cidadão bom e produtivo ou ao contrário um sujeito delinquente, uma pessoa que nem estuda nem trabalha e propensa a toda forma e gravidade de infrações éticas e criminais, como o péssimo exemplo dessas duas escórias sociais lá de Suzano SP .
Ao se deter na biografia dos dois terroristas do atentado do colégio Raul Brasil, de Suzano SP, se constata que ambos tiveram uma vida devassa e estroina desde a infância. Não tiveram uma referência paterna definida, parentes próximos e outros familiares drogaditos, nenhum limite no uso de celular, internet e redes sociais e amizades da banda a mais putrefata e vil da sociedade no entorno onde foram criados. Frise-se bem o termo criados. Ambos não tiveram nem formação nem educação, foram criados como se criam outros bichos não humanos, cachorros, gatos.
Ora, torna-se de conclusão acaciana. Um terreno adubado e fertilizado para produzir joio e outras ervas daninhas só pode produzir joio e outras plantas venenosas e parasitas. Portanto os indigitados criminosos cumpriram sua natureza e desiderato, foram fertilizados e adestrados para o mal, para o crime. Só isso. Março/2019.

Nosso Gás.. interior


A ENERGIA MOTRIZ QUE MOVE TODOS OS ANIMAIS
João Joaquim  



Pensemos além do homem, mas ele inclusivo. Se tomarmos qualquer animal irracional, Cada espécie se mostra com uma energia específica para a sua subsistência. Não importa como foi a origem desse animal, aqui pensando nas duas teorias da origem das espécies. A criacionista, tendo em conta que Deus criou o universo, o cosmo e todas as espécies de vida; e a  evolucionista, onde, há milhões de anos surgiram os seres primitivos e eles por uma seleção natural foram se modificando para se adaptar ao meio ambiente. Teoria evolucionista do cientista naturalista Charles Darwin.
O que importa é que cada espécie no quesito energia de subsistência teria a sua energia motriz. Tal característica está estampada na motricidade do animal, em seus instintos de defesa, nos reflexos de luta e fuga, na busca por alimentos, na proteção de suas crias, na energia do cio, na reprodução como forma de preservação da espécie entre outros instintos de relações entre os indivíduos da mesma espécie e com o meio ambiente.
O que é muito instigante é que a energia motriz e vital de cada espécie se torna bem perceptível no convívio diário com as diferentes espécies. De igual forma é muito admirável como cada espécie possui, de forma inata e instintiva, habilidades e vocações inerentes aquele grupo.
A título de ilustração vamos tomar alguns exemplos. Os canídeos, uma característica típica desse grupo de animais é a energia canalizada para o sentido do olfato (faro). Ao que sugerem os estudos nenhum outro animal tem essa habilidade tão evoluída. A outra, a lealdade que todos, sem exceção, têm ao dono e ao território, residência onde é criado.
Os felinos. Todas as espécies tem uma extrema acuidade do sentido da visão. Um atributo inigualável do grupo se refere à diferenciada habilidade cinética;  são autênticos velocistas, exaltada  atividade reflexa e alto grau na estratégia de defesa e da caça. São os predadores mais aptos, inteligentes e audazes da natureza.
No tocante ao gênero das aves, cada espécie tem os indivíduos com sua energia motriz e as habilidades peculiares. Tomemos as aves de rapina e aquelas de migração. Dentre as de rapina as águias e os falcões. Quão magníficos são esses animais no seu expediente da caça, do voo, da diferenciada função visual e de audição.
As aves de arribação e migratória com seus instintos de voos de longa distância e nos instintos de nidação e procriação. O quanto de energia que elas ciclicamente expendem nessas jornadas.
Em termos de energia na espécie humana, muitos são os trabalhos e ensaios científicos nesse sentido. Os próprios símbolos das mitologias grega e romana estão repletos dessas representações da chamada energia vital, da psicoenergia. O símbolo e alegoria de eros, o deus do amor. Nesses termos ele traz não apenas a conotação da perpetuação da vida pelo afeto, pela conjunção carnal. Muito além desse símbolo é a encarnação da energia motora, do fermento e combustível para a vida. O mesmo se dá no mito simbólico do cupido romano. O mesmo desígnio, o mesmo desiderato, o mesmo design inteligente.
Todos as ciências humanas revisitadas trazem suas teses sobre a energia que move os humanos.
Sigmund Freud e Carl Yung foram protagonistas nos estudos da energia psíquica, na energia vital. Podemos em termos práticos e compreensível afirmar que existe uma energia positiva e construtiva do indivíduo. Ela está intimamente relacionada com o amor, com o otimismo,  com a alegria, com o bem estar e júbilo da pessoa.
De outro lado tem-se aquela psicoenergia negativa, nociva e destrutiva da pessoa. E esta se manifesta com ódio, com inveja, com o mau humor, com o estresse, com uma existência marcada por melancolia e negativismo em todas as atitudes.
Muitas dessas duas formas de energia, a positiva e a negativa, são canalizadas para o corpo, para a saúde física. Dessa forma uma pessoa com predomínio das expressões e atitudes negativas está sempre propensa, e em risco das doenças psicossomáticas. Como exemplos, as cefaleias, as gastrites, enxaquecas, hipertensão, arritmias, infarto do miocárdio e morte súbita (morrer de raiva). O mundo vem assistindo a uma pandemia de ansiedade e depressão. São os males muito prevalentes nesta era considerada como hipermodernidade líquida.
O melhor então é viver e estar de bem com a vida, consigo mesmo e em paz.  Março /2019

A vocação do cuidado

  De repente vêm surgindo ramos de estudos sobre alguns sentimentos humanos. E muitos desses ensaios, pesquisas sociais, antropológicas e ps...