sábado, 1 de junho de 2019

Ministério da Doença..


MINISTÉRIO DA DOENÇA E SUS(to) nos Hospitais Públicos
Joao joaquim


  
O Ministério da Saúde deveria se chamar Ministério da Doença. Porque o que ele menos faz é justamente cuidar  da saúde das pessoas. Que políticas o governo tem de saúde ? Pensem comigo, quadras de esporte, academias gratuitas para todos, ginásios esportivos, quadras esportivas ao ar livre, planejamento familiar, prevenção de gravidezes indesejadas com contraceptivos, laqueaduras de trompas, vasectomia, etc. Atendimento de qualidade em saúde bucal, entre outros expedientes de saúde pública.
Quando se criou o nosso sistema único de saúde- SUS , 1988, a teoria foi excelente. Mas, uma coisa é o enredo, outra bem diversa é a prática. Uma empreitada  é a criação, outras, seus criadores- leiam: nossos sempre incorrigíveis políticos no seu modus operandi.
Elaborarem projetos de lei, aprová-los, e dessas leis se valerem para uso pessoal ou para  usufruto de seus apaniguados políticos. Para quem já esqueceu, tivemos a CPMF, contribuição provisória sobre movimentação financeira, alíquota de 0,38% em qualquer movimentação bancária, de 1997-2007.
O ministro de saúde era Adib Jatene (1929-2014). A ideia foi dele, mas na condição de ser unicamente para a saúde .  O objetivo da arrecadação com o imposto era custeio da saúde pública, da previdência social e erradicação da pobreza. Doce ilusão e enganação das pessoas porque a “saúde pública” se manteve doente, a previdência na mesma deficiência e a pobreza em condição de miséria. Grande parte do dinheiro da CPMF foi canalizada para outros fins, entre eles os dutos de roubos e corrupção perpetrada pelos políticos da brilhante ideia da contribuição provisória que por escárnio durou 10 anos (1997- 2007). E muitos dos gatunos e ladravazes queriam̶ na permanente.

Por isso que se reitera, em tese o nosso SUS, não foi uma má ideia. São cláusulas e postulados  das melhores intenções. Desembestadas e psicopáticas são as mentes de quem dele fizeram e fazem uso com fins espúrios. Insanas e criminosas são as cabeças daqueles governantes que desviam dinheiro e surrupiam recursos dos hospitais públicos, dos bancos de sangue e da merenda escolar.
O SUS e todos os seus braços de funcionamento são apenas uma materialização e contundência dos desgovernos, das ingerências e quadrilhas (como o quadrilhão do MDB)que administram o nosso país.
Tomemos alguns exemplos desses esquemas criminosos. Alguns batizados com nomes curiosos, quando investigados pela polícia federal. Máfia dos sanguessugas; foi uma quadrilha ocorrida em  2006, formada por deputados e prefeitos que fraudavam licitação na compra de ambulâncias e orçamento para bancos de sangue. Eram políticos vampiros roubando dinheiro da saúde.
Máfia das próteses, ocorrida em 2015. Envolvia orçamento com próteses de ortopedia. Eram médicos de hospitais públicos, na atividade de gatunagem. Muitos desses profissionais ou não realizavam o implante das próteses nos segurados do SUS, ou colocavam uma prótese inferior e cobravam por outra bem mais cara, superfaturada.
É muito triste e melancólico constatar, como este autor o testemunhou  como médico urgencista( hospitais públicos).  Constatar e  sem muito o que fazer por doentes em prontos socorros e hospitais do SUS . Por ironia são chamados prontos socorros. A maioria ou tarda ou nunca atende aos segurados. Quantos não são os casos que morrem por falta de insumos básicos como antibióticos e quimioterápicos ? Outros tantos por falta de cirurgias e vagas em UTIs.
São cenários mórbidos que mais parecem a nau dos insensatos ou navios dos loucos porque o indivíduo chega buscando socorro e não sabe o seu destino. O que lhe espera, quando sua vida se acha por um fio. Muitos são os segurados que morrem por falta de uma  simples cirurgia de hérnia inguinal, de úlcera perfurada, por uma apendicite, por hemorragia interna que passa da hora do atendimento.
Fico de cá a imaginar em todos esses ladrões e larápios do dinheiro de merenda das crianças, do sangue para pessoas em risco de vida , nas ambulâncias destinadas aos doentes, das próteses não implantadas nos idosos.
Quando se fala na punição para tanto roubo e corrupção , no julgamento que deveria receber esses malfeitores de nossos compatrícios menos favorecidos, pelo desvio de dinheiro de escolas, creches e hospitais públicos, vem  exatamente o imagem  da divina comédia do Dante Alighieri. Também do  Armagedon ou juízo final . Provável que nem o 5º nem o 9º círculo do purgatório para esses malfeitores da humanidade, dado que mais do que hediondos são os pecados desses vilões dos recursos da educação e da saúde pública de nossos pobres e desvalidos e inseguros brasileiros    Maio /2019.   
João Joaquim médico e cronista DM 

A Psiquê do Peso


A OBESIDADE EXPLICADA PELA PSICANÁLISE
JOAO JOAQUIM



Neste instante ao ingerir um chocolate “amargo” eu me lembrei dos deuses do olimpo de zeus, e de Simgund Frend, e eu explico. Nada mais impróprio do que chamar um chocolate de amargo. Só por que ele não contem muito açúcar ou sacarose? Indébito este tratamento. O componente mais substantivo do chocolate é a teobromina. O termo vem do grego, téos= deus, broma= manjar, manjar dos deus. Por isso que esse alimento( vindo do cacau) é capaz de levar ao vício, à dependência, porque TRAZ  uma sensação euforizante. Nos sentimos meio que no paraíso.
Quando degusto um alimento muito capitoso e saboroso como os derivados do cacau vem- me também a lembrança do grande psicanalista Freud. É dele a teoria do desenvolvimento da criança. Ele estudou não apenas a mente humana, os sonhos, mas a ligação erótica da criança com o genitor do sexo oposto, menina e pai, o menino com a mãe; e também as fases anal, oral, etc.
E é justamente a teoria da fase oral que trago neste artigo.
Se fosse vivo, no atual estágio da medicina, Freud teria contribuído mais para outros ramos das ciências da saúde, além do que nos revelou. Por exemplo no campo da endocrinologia e da metabologia. Nesses ramos do conhecimento dois graves distúrbios têm fundamentos na psicanálise de Freud. São a compulsão alimentar e a obesidade, que tem conexões uni e biunívocas.
Em psicanalise, compulsão se refere a um instinto ou reflexo interior que leva o indivíduo à repetição de um ato, expediente, gesto laborativo ou alimentar. Tem a analogia com um tique nervoso, aquele movimento involuntário de partes de nosso corpo. A diferença é que a compulsão alimentar se faz de forma subjetiva e voluntária.
Da compulsa alimentar vem a doença obesidade. Distúrbio metabólico e ponderal multifatorial, sendo a compulsão alimentar uma das causas. Segundo Freud todos passamos por um desenvolvimento psicossexual de 5 fases: oral, anal, fálica, latente e genital. 
Dessas fases uma que parece ter conexão com a obesidade é justamente a fase oral, que vai do nascimento até os 18 meses de idade. É nesse período que a criança expressa sua primeira energia libidinal. 
Buscando, nesse contexto, uma  contribuição na fisiologia e na anatomia. A boca e todos os seus órgãos e tecidos que a compõem constituem  um complexo de estruturas e corpúsculos os mais sensitivos de prazer do corpo humano. Como exemplos dessa intricada anatomia temos  as fibras sensitivas e papilas linguais que identificam os variados sabores e outros estímulos do prazer.
Segundo tese de nosso psicanalista maior(Freud) cada fase do desenvolvimento psicossexual deve ser bem resolvida. Assim, se estriba muitos casos de obesidade que persistem com a longevidade de muitos dela portadores. Seria como se o indivíduo regredisse para  sua fase oral do desenvolvimento. Para muitas pessoas, o maior dos prazeres, o único prazer, sempre o mesmo prazer e mais prazer estão centrados, restritos ao ato de ingestão de bebidas e mastigação de alimentos. Mesmo que tais produtos e alimentos lhes sejam excessivos, supérfluos, nocivos e danosos à saúde. Fase oral e paladar orgástico em sua máxima sensação. Daqui resulta a terrível, a mórbida e limitante obesidade, de gravidade linear com o excesso de peso.  A pior delas, não é sem razão que leva o adjetivo mórbida.    Maio/2019.

Tatoos


O EXAGERO DAS PLÁSTICAS, TATUAGENS E BOTOX
João Joaquim  


Nesses tempos pós-modernos e digitalizados temos assistido, de forma frenética, uma contínua busca por tudo quanto é tido de prazer e satisfação do corpo e dos instintos,  por simples instinto. Nesse sentido, por exemplo, têm sido os casos dos excessos da mesa, das bebidas alcoólicas, das drogas ilícitas ou lícitas (prescritas por médicos) e até o exagero do exercício sexual com os chamados medicamentos para a disfunção erétil (impotência nos homens, frigidez nas mulheres).
Uma outra questão comportamental de nossa sociedade se refere aos tratamentos de beleza ou  de estética corporal. A tal ponto chegou a preocupação com o corpo que dificilmente se sabe se uma jovem bela e elegante o é de forma natural. Tem  sido desmedido o uso dos implantes, cortes, recortes, lipoaspiração, botox e toda forma de enxertos e próteses.
Um outro modelo do exagero na mudança do visual e estética corporal tem sido o uso abusivo e espalhafatoso das tatuagens. Tal prática de exagero soa incompreensiva e imbecil posto que o indivíduo troca sua pele natural por pinturas perenes, de quase impossível limpeza se chegar ao enfado e arrependimento. Curioso e esquisito que até as pessoas de pele negra vêm aderindo aos adereços das tatuagens. Como os desenhos ficam ofuscados pela melanina, eles mais sugerem os túneis de bicho-geográfico (parasita de pele, larva migrans).
Muito intrigantes esses comportamentos do prazer, da vaidade, da estética corporal quando os expedientes de boa saúde e qualidade de vida são relegados a um plano secundário. Nessa questão a ilustração mais candente se refere a lipoaspiração. Em  já tão popular técnica de sucção de excessos adiposos, barriga, coxas e glúteos, retiram-se de fato as gorduras excedentes. Mas, aquelas mais danosas, aquelas contidas nas vísceras, no coração e artérias continuam intocáveis. E são esses acúmulos de gordura que matam porque causam infartos e derrames cerebrais. Com um seriíssimo agravante: se o paciente já está com sobrepeso, essas gorduras invisíveis, já entranhadas nas vísceras, são crônicas e de efeitos nocivos de alto risco( obstrução de artérias , infartos, derrames).
Cada vez mais a medicina vem enfatizando toda terapia e estilo de vida baseados em evidências.  Ou seja, em ensaios clínicos e estudos científicos rigorosos seguindo critérios bioéticos. Acabou a vez do charlatanismo , das crendices e de apenas opinião pessoal. Vivemos hoje a chamada Medicina cartesiana, tudo com provas científicas .
Muito mais do que narcisismo (culto do próprio corpo), dos prazeres da carne e da mesa, as pessoas podem se dedicar a práticas mais simples e que de fato trazem mais saúde, mais qualidade de vida e longevidade lúcida e independente.
Como recomendações simples de uma existência sadia e longeva ficam as dicas de um check̶ up anual para qualquer pessoa. Alimentar bem não significa comer muito. Mais vale a qualidade dos nutrientes. A melhor tríade da boa saúde consiste em alimentação equilibrada, sono de boa qualidade e reparador e atividade física conforme aptidão de cada pessoa.  Maio/2019.

Questão de Muito Peso


OBESIDADE MÓRBIDA 

joão joaquim 

Mais uma vez a temática da obesidade com sua lista de morbidades (fatores físicos e fisiológicos de agravos à saúde). Se o excesso de peso se resumisse apenas à mudanças da anatomia das chamadas partes moles, da silhueta pessoal, dos diâmetros e anatomia do corpo, tudo encerrado. Mas, não e não mesmo. O aumento do índice de massa gordurosa  encerra̶ se em um espectro muito amplo de graves fatores de risco à saúde, sobretudo ao coração e cérebro - infarto, derrame cerebral e morte súbita.
Retrato do descontrole, zona de conforto e resiliência de portadores de obesidade mórbida. Cena real. MLS 52 anos, sempre obeso, atingiu o IMC de morbidez ou alto  risco. Foi orientado pelo endócrino à cirurgia bariátrica. Paciente passou pela equipe multiprofissional antes e pós operatório. Foi reiteradamente instruído a ter aderência à chamada reeducação alimentar. Nos primeiros meses se mostrava um paciente exemplar e resignado às mudanças propostas. Passados dois anos um reencontro numa confraternização gastronômica. O mesmo biotipo adiposo  ou até maior peso de antes da bariátrica. Espanto!
̶ Uai Sr. MLS, o que lhe sucedeu, o senhor não tinha submetido a procedimento para emagrecer  ? 
̶  Ah, sim, verdade, mas não deu, ganhei tudo de novo. Tinha perdido uns 40, agora estou com 160.
Melhor explicado, o sujeito  tinha 150 kg antes do procedimento redutor de peso. Não se controlou nas compulsões e voltou a 160 kg de peso corporal. Um superavit de 10 kg . O peso é afetivo e volta.
A obesidade embora estudada amplamente pela medicina serve de indagação em outros ramos das ciências e do conhecimento. Entre esses, a filosofia, a sociologia, a psiquiatria e a psicologia.
Como exemplo essa questão proposta: dentre todos os animais somos a única espécie que ingerimos alimentos  com o único propósito de prazer, de diversão, de gozo e de satisfação instintiva.
Ofereça por exemplo ração a um cachorro ou porco. Ele comerá até saciar sua fome. Se lhe adicionar  o melhor petisco ou ração a mais cheirosa ou saborosa, ele não comerá a mais.
Mesma experiência com os humanos mórbidos. O sujeito se fartou e se refestelou em massas, carnes e sobremesa. Se lhe der mais um musse ou torta de chocolate, o sujeito se empanturra  como se não  houvesse amanhã. À la assertiva do Carpem Die. Tenha um bom dia, aproveite ao máximo a vida, coma do bom e do melhor. Conselho dos sobreviventes do antigo Império Romano. 
A obesidade, costumeiramente se apresenta em família. Tudo se estabelece por um fator hereditário comportamental. Bem entendido, não genético, nada de DNA. Hereditário por hábitos de festas e orgias alimentares peculiares naquela família.
A criança crescida nesse ambiente de tudo prazer, de toda alegria centrada de tudo quanto é iguaria se tornará um adulto glutão e comilão por toda sua vida.
  Uma criança que passa a adolescência obesa tem risco quase 100% de se tornar uma   adulta obesa  irreversível. Por que? O seu número de células adiposas é infinitamente maior do que uma criança de peso normal. Células adiposas são famintas , esfomeadas por mais e mais calorias, mais e mais iguarias. O indivíduo come, come, as células gordurosas empanturram e ele, indivíduo obeso , também portanto se empanturra. O melhor é a prevenção, com educação que começa lá no berço com a primeira amamentação. Comida não é tudo na vida.   Abril/2019. 

terça-feira, 19 de março de 2019

Pressão e diabetes

COMO NÃO MORRER  DE PRESSÃO OU DO DIABETES
João Joaquim  

Quero neste texto discorrer e alertar para duas doenças muito frequentes, que são negligenciadas pelas pessoas e que mais matam no mundo. Estou a falar da hipertensão arterial e do diabetes. Basta lembrar que 30% das pessoas em geral são hipertensas e 10% tem também o diabetes, ao mesmo tempo. A coexistência dessas doenças traz um alto grau de morbidade e mortalidade. A somatória dos danos na saúde se torna devastadora quando o portador desses dois diagnósticos se torna displicente e descuidado nas recomendações terapêuticas oferecidas pela medicina.
Tanto a hipertensão como o diabetes têm efeitos deletérios nos mesmos órgãos vitais. Ou os chamados órgãos alvos: coração, sistema circulatório, rins e retina. Elas são as principais causas de infarto do miocárdio, de derrames cerebrais, de insuficiência renal irreversível  e cegueira (retinopatia hipertensiva e/ou diabética).
Em face portanto dessas características quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento menos riscos corre o paciente. Uma marca comum de ambas essas doenças é que elas podem ser silenciosas na maioria de seus portadores. Uma pessoa saudável deve aferir a pressão pelo menos uma vez por ano, o mesmo se recomenda com a prevenção do diabetes, com uma dosagem da glicose sanguínea uma vez ao ano. Para os hipertensos ou diabéticos essa monitorização se torna mais rigorosa que será ditada pelo médico que orienta e assiste o paciente.
Em medicina ou saúde em geral temos a classificação dos chamados fatores de risco (FR) para as doenças. Por definição FR é aquela condição, característica ou comportamento que aumenta a chance ou probabilidade de um indivíduo desenvolver alguma doença ligada àquele fator.
Para ilustração vamos a alguns exemplos. O tabagismo é um fator de risco enormíssimo para câncer de pulmão; o álcool para o alcoólatra é um grande FR para a aquisição de cirrose hepática. Tanto o câncer de pulmão quanto o alcoolismo se equivalem em termos de prognóstico e expectativa de vida.

Existem alguns FRs que são genéticos, têm influência familiar, por isso hereditários. Dois exemplos como modelos. O câncer de mama na mulher. Muitas pacientes têm um gene de alto  risco para câncer. Outro exemplo: a presença de pólipos no intestino grosso (polipose familiar). Trata-se de uma anomalia intestinal que uma vez diagnosticada tem que ser extirpada porque se transforma em câncer.
Em se tratando estritamente dos FRs para doenças cardiovasculares. Eles são muitos e vamos tratar dos principais. O primeiro grande fator para morte cardiovascular é genético e ele não deve ser negligenciado. A própria hipertensão arterial é uma doença poligênica em cerca de 80% das pessoas, ou seja tem uma causa hereditária, com múltiplos genes envolvidos. 
Para sistematizar, os principais FRs para as cardiopatias e acidente vascular cerebral (AVC) são a hipertensão, o diabetes, o tabagismo, o uso de drogas ilícitas, o colesterol alto, o sedentarismo e a obesidade.
A cardiologia tem uma tabela de análise dos FRs para cada perfil de pessoa, baseada na idade e naqueles atributos presentes no paciente. Em termos práticos e objetivos, quanto mais FRs tiver o indivíduo, mais grave é a sua situação em probabilidade de ter uma doença cardiovascular. 
Existe um somatório de pontos e interação negativa pela concomitância dessas condições mórbidas. A coexistência desses fatores tem sido muito presente em nossa sociedade, com um alto percentual de indivíduos sedentários, tabagistas, obesos, com hipertensão sem medicação e alterações metabólicas a exemplo de glicose e colesterol elevados. São condições mórbidas silenciosas.
Em conclusão, deixo reiterado o alerta inicial, da coexistência muito encontradiça da hipertensão e diabetes. São os FRs mais nocivos no sentido de comprometer órgãos vitais como coração, rins, retina e cérebro.
A notícia boa é que ambas as doenças, e ao mesmo tempo como grandes fatores de risco , têm pleno controle e prevenção. Basta a observância  das recomendações médicas para mudança no ritmo de vida e de da alimentação, mais o emprego  correto dos medicamentos específicos. Nesses termos é como se a pessoa estivesse curada desses doenças altamente mortais e causadoras de graves sequelas. Como alerta citem—se  as sequelas de um derrame cerebral ou da insuficiência renal e amputações por que passa um diabético que não seguiu corretamente as prescrições médicas.  Não quer morrer dessas doenças terrificantes ? Siga fielmente os conselhos e prescrição do médico. MARÇO/2019.     
João Joaquim  médico e cronista do Diário da Manhã 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Andressa, médica UFMG

O CASAMENTO HIPOCRÁTICO DE  MINHA FILHA ANDRESSA DE SOUZA NEVES
João Joaquim  

 Uma das felicidades com que sonham os pais é a do casamento dos filhos. E esta felicidade é maior e mais magnífica quando é do casamento da filha. Aliás, é explicável. Quantos e quantos adjetivos se referem à noiva. Natural porque a mulher é de fato portadora de inúmeros qualificativos que faltam aos homens. Sensibilidade, encanto, sexto sentido, afabilidade, poesia, ternura. Enfim sobram adjetivações. No trato por exemplo dos compromissos afetivos e conjugais, alguém já ouviu falar em terno de noivo, gorro ou chapéu de noivo. Se for mulher, quantos adereços, perfumes,  bens ornamentais se destinam a elas, noivas. Vestido de noiva, véu de noiva, convite da noiva, noivado (da noiva). Ao ouvir o termo noivado, qual lembrança vem logo ? Claro que ela, a noiva. O noivo vem depois como mero acessório.
Basta parar e refletir sobre o papel e os  rituais esponsalícios. Tome como exemplo a celebração religiosa. Alguém presta atenção na entrada do noivo na igreja ?  Só se ele atrasar ou cometer alguma gafe ou deslize na hora do sim. Tudo e todos os olhares, câmeras e filmagens estão voltados para ela, A Noiva.  O vestido, o véu, o buquê de flores, suas maquiagens , adereços e sua expressão de felicidade. Não remanesce controvérsia de que casamento parece uma convenção e celebração feminina. Basta um olhar mais atento e considerar que até os padrinhos e madrinhas, as crianças acompanhantes  que fazem o séquito da noiva adquirem signos e cores diferenciadas. Tudo voltado para ela, símbolos e signos da feminilidade.
Eu, de minha parte quando fui casar e receber a minha ex-noiva (Sandra Regina Araújo), hoje minha esposa, guardo vivamente essas imagens. Ela toda bela, airosa, elegante, entrando com todo aparato na igreja e o aqui mero figurante lá atrás nas fileiras dos presentes , praticamente anônimo. Nesse quesito foi até reconfortante, dado que sou mais tímido e recatado.
A questão é que a tradição dos casamentos tem mudado. Hoje não se casa tanto ornamentalmente e majestosamente  como antigamente. As celebrações, os ritos e os arranjos conjugais vêm se modificando. E é compreensível considerando a evolução, os avanços tecnocientíficos , e nesse rol entram também as modificações do comportamento das pessoas, das famílias;  inseridos que estamos na chamada hipermodernidade, era digital, tempos da hiperconectividade e da comunicação instantânea.
Neste janeiro de 2019 eu estou desfrutando da felicidade do casamento de minha filha. Tenho  dois filhos, a primogênita, Andressa e o caçula, Gustavo. Minha filha está me proporcionando a 2ª  maior felicidade, depois da felicidade de seu nascimento. De forma sumária, eu explico como foi esse arranjo nupcial.
Tudo se iniciou com um flerte e vocação natural, um namoro e noivado de 6 anos e a conclusão do enlace conjugal. Antes de revelar o noivado e a união conjugal, aliás estabilíssima, eu conto um pouco de sua infância.
Lá pelo ciclo maternal, 4 anos, 6 anos, 8 anos de idade um dos brinquedos ou mimos de Andressa eram suas bonecas. Com esses objetos humanos ela já instintivamente se fazia passar por babá, por mãe e não raro se representava como médica das próprias bonecas. Nisso pode-se concluir que a natureza é sábia e não faz nada por acaso e por saltos. Ela, aos poucos vai nos mostrando os seus desígnios, a que fomos destinados. Caprichos de nossa existência.  
O primeiro grau se fez no Colégio Agostiniano ; o  segundo grau no colégio WR Goiânia. Dessa fase do ensino fundamental, A Andressa traz construtivas reminiscências, marcas das melhores amizades feitas com colegas de ensino e de seus professores.
No ensino fundamental a Andressa já tinha decidido o alvo de seu principal namoro. A Medicina. Ou seja seu noivado e casamento com a profissão médica já tinham prenúncios na idade das bonecas. Tudo se fez de forma natural. Aos 24 anos de idade ela se graduou (casou) em Medicina pela UFMG –Belo Horizonte MG, em dezembro/2018.
Comparativamente a Medicina se equivale a um noivado e casamento;  uma união conjugal das mais estáveis e duradouras. Pensem bem! Quantas separações e divórcios se dão entre os casados tradicionais ? A chance do médico ou médica se divorciar da Medicina é quase zero. Este sim ! Pode ser considerado um SIM dos mais leais e fieis ,  até que a morte os( profissional e a Medicina) separe.
 Todo enredo desse estável e fidelíssimo casamento se dá assim: Primeiro o (a) jovem tem atração pelo curso. Pede-se então  a mão (consentimento) à universidade via  vestibular ou ENEM. Aceito a relação afetiva (aprovação) inicia-se o namoro. E os primeiros anos constituem de fato um namoro, uma confirmação do amor e afetividade entre o aluno (a) como namorado(a) dessa Arte e Ciência do cuidado da saúde, do bem estar e da vida das pessoas.
Passados os quatro primeiros anos, vêm o 5º e 6º anos, que representam o noivado. Períodos em que os alunos iniciam a fase mais importante do curso. É o contato com as disciplinas de forma prática e com o atendimento aos doentes. Aqui pode-se afirmar que a relação não tem volta. Todos já se sentem meio médicos.
A Medicina em tudo se assemelha ao casamento quando dos rituais da formatura. Até mesmo com os convites aos escolhidos para as cerimônias e baile final. Têm-se a missa com os formandos e familiares, a sessão de colação de grau com a entrega dos diplomas e por último  a grande festa com o baile dos formandos e convidados.
E não esqueçamos que o casamento entre formandos com a Medicina tem o registro no civil, que é o registro no Conselho Regional de Medicina. Tudo a ver. E justiça seja feita, diferente do casamento entre pessoas, tanto o jovem como a jovem médica, recém casados, terão direito e dever de trajar a mesma indumentária, por exemplo roupas brancas. Como o popular jaleco. Esses acessórios de cor branca, são como véu da noiva ou bata de branco para o noivo. 
Por isso minha felicidade e orgulho de participar e ser pai de uma filha médica;  minha herdeira na profissão , Dra Andressa de Souza Neves. A ELA, declaro casada com essa das mais belas profissões, A Medicina; a Ciência e a Arte do cuidado e amparo às pessoas que de alguma forma padece de algum mal, seja este da alma ou do físico.  Parabéns minha filha ,  por me produzir tão grande realização, contentamento e felicidade. Janeiro/2019

com-viver

Os    SEGREDOS DE UMA BOA  CONVIVÊNCIA
João Joaquim 


Com as mídias digitais e as redes sociais vivemos em uma atmosfera social com um intenso e intrusivo patrulhamento do comportamento das pessoas. A internet e todos os seus recursos vieram com esse poder, essa força de vigilância, de crítica e devassa social. E para ser justo, bem justo mesmo, as próprias pessoas ao se exporem  em demasia em suas páginas virtuais é que permitem e dão azo a que outras pessoas, na maioria das vezes desocupadas e vazias façam essa implacável vigilância e patrulha.
Sempre que escrevo e comento sobre as plataformas digitais, com suas ubíquas redes sociais, vêm-me à lembrança uma consideração do semiólogo, filósofo e crítico Umberto Eco (1932-2106). Perguntado pela jornalista Ilze Scamparini( Globo News) sobre a internet, o grande escritor italiano não titubeou: as redes sociais dão direito à palavra a uma legião de imbecis. E continua o entrevistado, “antes eles falavam em algum bar após uma taça de vinha e a conversa morria ali. Agora não, agora eles têm voz e vez”.
 E é isto mesmo. Conforme Eco, muitos têm direito à palavra como um prêmio Nobel. Os usuários da internet, na maioria esmagadora, constituem  um grande rebanho de pessoas sem outros objetivos maiores e mais nobres na vida. Esses recursos da Internet,  para elas, permitem a que façam as interações com o mesmo mundinho que as caracterizam; todos se encontram no mesmo vácuo , nas mesmas frívolas e insossas atividades. Nada fazem, nada produzem, existem num eterno far-niente.
A questão do patrulhamento e da vigilância digital traz-nos no bojo do mesmo tema outras questões das relações sociais que são as referências, as considerações, as titulações, as adjetivações, os apelidos, as apreciações sobre as atitudes e condutas das pessoas, o seu caráter;  e num grau extremo até os insultos que que são trocados. E trocados porque quase todos, insultados e insultadores pertencem ao mesmo jaez, à mesma tribo social.
Quando alguém recebe uma consideração, um comentário sobre si vindo de terceiros, sejam pessoas “amigas”, seja de alguém do ciclo de inimigos, a primeira reação deveria ser esta indagação  : trata-se de uma inverdade, de uma fofoca? Ou ao contrário: esse comentarista está se referindo a alguma característica de fato verdadeira? Um comportamento, atividade ou ato que cometi fora dos padrões sociais? Ora, se for isso necessário se faz uma adaptação. A abelha deve voar e se comportar conforme a ânimo e regras da colmeia, do contrário elas podem ser picadas pelas próprias companheiras.
Dentro dessa análise, como alvo desses comentários, adjetivações ou apelidos entram por exemplo referências étnicas, preferência sexual, cor da pele, etc. Nesses termos, conforme os objetivos e tom do insultador, estamos diante de um crime e necessário se faz gerar um boletim de ocorrência policial e denúncia ou queixa crime no ministério público.
Em suma aquilo que as pessoas dizem a nosso respeito pode ser uma verdade incontestável com a qual eu tenho que conviver. A análise também aqui deve levar em conta o objetivo desse comentarista, dessas considerações e características a mim endereçadas.
Nesse sentido, o tom, a intensidade desses títulos e atribuições. Mais do que  isto , a finalidade dessas atribuições. O inteiro teor, o objetivo desses comentários devem ser levados em conta. Até mesmo quando alguém nos dirige algum insulto, seja ele de que magnitude for, deve-se de forma civilizada e ponderada avaliar os termos empregados. E então de forma educada, polida, e  civilizada responder à altura a esse insultador ou impostor(a).
Há um princípio que afirma: “o insulto só funciona se você beber o veneno”. Assim devemos reagir quando alguém nos fizer alguma referência com intenção de nos irritar, nos desequilibrar ou tirar a nossa calma, a nossa civilidade. De sorte que fica claro que ao receber um veneno, ele só me intoxicará ou fará mal se eu o ingerir. Tomemos alguns exemplos da vida cotidiana.
Se alguém olha para você e o  qualifica de careca, de gordo, de baixinho, de velho, de pé-rapado ou gay. Nesse instante, você deve certificar se  se de fato trata de um atributo falso ou verdadeiro. Nessa circunstância os especialistas em comportamento humano aconselham como reagir. Como exemplo:  Se for um atributo falso e não injurioso ou não preconceituoso. O que revela esse comentário? Nada mais do que a dor moral ou inveja do insultador. Sua frustração, seus distúrbios adaptativos de sociabilidade. Nada além disso. Pode-se  tratar de uma pessoa perturbada e desequilibrada que merece o nosso desprezo. Só isso.
Como fecho desta matéria o que se deixa como dicas para qualquer um de nós é a busca de uma convivência pacífica e civilizada. Cada um de nós deve ter uma cartilha ou código de conduta nas relações sociais e referências ao outro.
Fazer comentários e considerações a respeito de quem quer que seja pode se tornar uma fórmula de inimizade e intolerância das mais biliosas.
Cada pessoa tem o estilo de vida e as escolhas e gostos ao seu sabor, de acordo com os seus valores, sua educação, cultura e formação escolar. Comentar que tal mulher ou jovem escolheu casar para ter um maridão que tudo patrocina para a esposa, que tal opção foi golpe do baú, pode ser a fórmula certa para ódio  , antipatias e muita inimizade. O que temos com isso?  Cada qual que ouça e enxergue conforme sua audição e visão. Inclusive quem está de seu próprio lado.  Janeiro/2019.         
João Joaquim - médico - articulista DM   facebook/ joão joaquim de oliveira  www.drjoaojoaquim.blogspot.com - WhatsApp (62)98224-8810  

A vocação do cuidado

  De repente vêm surgindo ramos de estudos sobre alguns sentimentos humanos. E muitos desses ensaios, pesquisas sociais, antropológicas e ps...