sábado, 1 de junho de 2019

Tatoos


O EXAGERO DAS PLÁSTICAS, TATUAGENS E BOTOX
João Joaquim  


Nesses tempos pós-modernos e digitalizados temos assistido, de forma frenética, uma contínua busca por tudo quanto é tido de prazer e satisfação do corpo e dos instintos,  por simples instinto. Nesse sentido, por exemplo, têm sido os casos dos excessos da mesa, das bebidas alcoólicas, das drogas ilícitas ou lícitas (prescritas por médicos) e até o exagero do exercício sexual com os chamados medicamentos para a disfunção erétil (impotência nos homens, frigidez nas mulheres).
Uma outra questão comportamental de nossa sociedade se refere aos tratamentos de beleza ou  de estética corporal. A tal ponto chegou a preocupação com o corpo que dificilmente se sabe se uma jovem bela e elegante o é de forma natural. Tem  sido desmedido o uso dos implantes, cortes, recortes, lipoaspiração, botox e toda forma de enxertos e próteses.
Um outro modelo do exagero na mudança do visual e estética corporal tem sido o uso abusivo e espalhafatoso das tatuagens. Tal prática de exagero soa incompreensiva e imbecil posto que o indivíduo troca sua pele natural por pinturas perenes, de quase impossível limpeza se chegar ao enfado e arrependimento. Curioso e esquisito que até as pessoas de pele negra vêm aderindo aos adereços das tatuagens. Como os desenhos ficam ofuscados pela melanina, eles mais sugerem os túneis de bicho-geográfico (parasita de pele, larva migrans).
Muito intrigantes esses comportamentos do prazer, da vaidade, da estética corporal quando os expedientes de boa saúde e qualidade de vida são relegados a um plano secundário. Nessa questão a ilustração mais candente se refere a lipoaspiração. Em  já tão popular técnica de sucção de excessos adiposos, barriga, coxas e glúteos, retiram-se de fato as gorduras excedentes. Mas, aquelas mais danosas, aquelas contidas nas vísceras, no coração e artérias continuam intocáveis. E são esses acúmulos de gordura que matam porque causam infartos e derrames cerebrais. Com um seriíssimo agravante: se o paciente já está com sobrepeso, essas gorduras invisíveis, já entranhadas nas vísceras, são crônicas e de efeitos nocivos de alto risco( obstrução de artérias , infartos, derrames).
Cada vez mais a medicina vem enfatizando toda terapia e estilo de vida baseados em evidências.  Ou seja, em ensaios clínicos e estudos científicos rigorosos seguindo critérios bioéticos. Acabou a vez do charlatanismo , das crendices e de apenas opinião pessoal. Vivemos hoje a chamada Medicina cartesiana, tudo com provas científicas .
Muito mais do que narcisismo (culto do próprio corpo), dos prazeres da carne e da mesa, as pessoas podem se dedicar a práticas mais simples e que de fato trazem mais saúde, mais qualidade de vida e longevidade lúcida e independente.
Como recomendações simples de uma existência sadia e longeva ficam as dicas de um check̶ up anual para qualquer pessoa. Alimentar bem não significa comer muito. Mais vale a qualidade dos nutrientes. A melhor tríade da boa saúde consiste em alimentação equilibrada, sono de boa qualidade e reparador e atividade física conforme aptidão de cada pessoa.  Maio/2019.

Questão de Muito Peso


OBESIDADE MÓRBIDA 

joão joaquim 

Mais uma vez a temática da obesidade com sua lista de morbidades (fatores físicos e fisiológicos de agravos à saúde). Se o excesso de peso se resumisse apenas à mudanças da anatomia das chamadas partes moles, da silhueta pessoal, dos diâmetros e anatomia do corpo, tudo encerrado. Mas, não e não mesmo. O aumento do índice de massa gordurosa  encerra̶ se em um espectro muito amplo de graves fatores de risco à saúde, sobretudo ao coração e cérebro - infarto, derrame cerebral e morte súbita.
Retrato do descontrole, zona de conforto e resiliência de portadores de obesidade mórbida. Cena real. MLS 52 anos, sempre obeso, atingiu o IMC de morbidez ou alto  risco. Foi orientado pelo endócrino à cirurgia bariátrica. Paciente passou pela equipe multiprofissional antes e pós operatório. Foi reiteradamente instruído a ter aderência à chamada reeducação alimentar. Nos primeiros meses se mostrava um paciente exemplar e resignado às mudanças propostas. Passados dois anos um reencontro numa confraternização gastronômica. O mesmo biotipo adiposo  ou até maior peso de antes da bariátrica. Espanto!
̶ Uai Sr. MLS, o que lhe sucedeu, o senhor não tinha submetido a procedimento para emagrecer  ? 
̶  Ah, sim, verdade, mas não deu, ganhei tudo de novo. Tinha perdido uns 40, agora estou com 160.
Melhor explicado, o sujeito  tinha 150 kg antes do procedimento redutor de peso. Não se controlou nas compulsões e voltou a 160 kg de peso corporal. Um superavit de 10 kg . O peso é afetivo e volta.
A obesidade embora estudada amplamente pela medicina serve de indagação em outros ramos das ciências e do conhecimento. Entre esses, a filosofia, a sociologia, a psiquiatria e a psicologia.
Como exemplo essa questão proposta: dentre todos os animais somos a única espécie que ingerimos alimentos  com o único propósito de prazer, de diversão, de gozo e de satisfação instintiva.
Ofereça por exemplo ração a um cachorro ou porco. Ele comerá até saciar sua fome. Se lhe adicionar  o melhor petisco ou ração a mais cheirosa ou saborosa, ele não comerá a mais.
Mesma experiência com os humanos mórbidos. O sujeito se fartou e se refestelou em massas, carnes e sobremesa. Se lhe der mais um musse ou torta de chocolate, o sujeito se empanturra  como se não  houvesse amanhã. À la assertiva do Carpem Die. Tenha um bom dia, aproveite ao máximo a vida, coma do bom e do melhor. Conselho dos sobreviventes do antigo Império Romano. 
A obesidade, costumeiramente se apresenta em família. Tudo se estabelece por um fator hereditário comportamental. Bem entendido, não genético, nada de DNA. Hereditário por hábitos de festas e orgias alimentares peculiares naquela família.
A criança crescida nesse ambiente de tudo prazer, de toda alegria centrada de tudo quanto é iguaria se tornará um adulto glutão e comilão por toda sua vida.
  Uma criança que passa a adolescência obesa tem risco quase 100% de se tornar uma   adulta obesa  irreversível. Por que? O seu número de células adiposas é infinitamente maior do que uma criança de peso normal. Células adiposas são famintas , esfomeadas por mais e mais calorias, mais e mais iguarias. O indivíduo come, come, as células gordurosas empanturram e ele, indivíduo obeso , também portanto se empanturra. O melhor é a prevenção, com educação que começa lá no berço com a primeira amamentação. Comida não é tudo na vida.   Abril/2019. 

terça-feira, 19 de março de 2019

Pressão e diabetes

COMO NÃO MORRER  DE PRESSÃO OU DO DIABETES
João Joaquim  

Quero neste texto discorrer e alertar para duas doenças muito frequentes, que são negligenciadas pelas pessoas e que mais matam no mundo. Estou a falar da hipertensão arterial e do diabetes. Basta lembrar que 30% das pessoas em geral são hipertensas e 10% tem também o diabetes, ao mesmo tempo. A coexistência dessas doenças traz um alto grau de morbidade e mortalidade. A somatória dos danos na saúde se torna devastadora quando o portador desses dois diagnósticos se torna displicente e descuidado nas recomendações terapêuticas oferecidas pela medicina.
Tanto a hipertensão como o diabetes têm efeitos deletérios nos mesmos órgãos vitais. Ou os chamados órgãos alvos: coração, sistema circulatório, rins e retina. Elas são as principais causas de infarto do miocárdio, de derrames cerebrais, de insuficiência renal irreversível  e cegueira (retinopatia hipertensiva e/ou diabética).
Em face portanto dessas características quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento menos riscos corre o paciente. Uma marca comum de ambas essas doenças é que elas podem ser silenciosas na maioria de seus portadores. Uma pessoa saudável deve aferir a pressão pelo menos uma vez por ano, o mesmo se recomenda com a prevenção do diabetes, com uma dosagem da glicose sanguínea uma vez ao ano. Para os hipertensos ou diabéticos essa monitorização se torna mais rigorosa que será ditada pelo médico que orienta e assiste o paciente.
Em medicina ou saúde em geral temos a classificação dos chamados fatores de risco (FR) para as doenças. Por definição FR é aquela condição, característica ou comportamento que aumenta a chance ou probabilidade de um indivíduo desenvolver alguma doença ligada àquele fator.
Para ilustração vamos a alguns exemplos. O tabagismo é um fator de risco enormíssimo para câncer de pulmão; o álcool para o alcoólatra é um grande FR para a aquisição de cirrose hepática. Tanto o câncer de pulmão quanto o alcoolismo se equivalem em termos de prognóstico e expectativa de vida.

Existem alguns FRs que são genéticos, têm influência familiar, por isso hereditários. Dois exemplos como modelos. O câncer de mama na mulher. Muitas pacientes têm um gene de alto  risco para câncer. Outro exemplo: a presença de pólipos no intestino grosso (polipose familiar). Trata-se de uma anomalia intestinal que uma vez diagnosticada tem que ser extirpada porque se transforma em câncer.
Em se tratando estritamente dos FRs para doenças cardiovasculares. Eles são muitos e vamos tratar dos principais. O primeiro grande fator para morte cardiovascular é genético e ele não deve ser negligenciado. A própria hipertensão arterial é uma doença poligênica em cerca de 80% das pessoas, ou seja tem uma causa hereditária, com múltiplos genes envolvidos. 
Para sistematizar, os principais FRs para as cardiopatias e acidente vascular cerebral (AVC) são a hipertensão, o diabetes, o tabagismo, o uso de drogas ilícitas, o colesterol alto, o sedentarismo e a obesidade.
A cardiologia tem uma tabela de análise dos FRs para cada perfil de pessoa, baseada na idade e naqueles atributos presentes no paciente. Em termos práticos e objetivos, quanto mais FRs tiver o indivíduo, mais grave é a sua situação em probabilidade de ter uma doença cardiovascular. 
Existe um somatório de pontos e interação negativa pela concomitância dessas condições mórbidas. A coexistência desses fatores tem sido muito presente em nossa sociedade, com um alto percentual de indivíduos sedentários, tabagistas, obesos, com hipertensão sem medicação e alterações metabólicas a exemplo de glicose e colesterol elevados. São condições mórbidas silenciosas.
Em conclusão, deixo reiterado o alerta inicial, da coexistência muito encontradiça da hipertensão e diabetes. São os FRs mais nocivos no sentido de comprometer órgãos vitais como coração, rins, retina e cérebro.
A notícia boa é que ambas as doenças, e ao mesmo tempo como grandes fatores de risco , têm pleno controle e prevenção. Basta a observância  das recomendações médicas para mudança no ritmo de vida e de da alimentação, mais o emprego  correto dos medicamentos específicos. Nesses termos é como se a pessoa estivesse curada desses doenças altamente mortais e causadoras de graves sequelas. Como alerta citem—se  as sequelas de um derrame cerebral ou da insuficiência renal e amputações por que passa um diabético que não seguiu corretamente as prescrições médicas.  Não quer morrer dessas doenças terrificantes ? Siga fielmente os conselhos e prescrição do médico. MARÇO/2019.     
João Joaquim  médico e cronista do Diário da Manhã 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Andressa, médica UFMG

O CASAMENTO HIPOCRÁTICO DE  MINHA FILHA ANDRESSA DE SOUZA NEVES
João Joaquim  

 Uma das felicidades com que sonham os pais é a do casamento dos filhos. E esta felicidade é maior e mais magnífica quando é do casamento da filha. Aliás, é explicável. Quantos e quantos adjetivos se referem à noiva. Natural porque a mulher é de fato portadora de inúmeros qualificativos que faltam aos homens. Sensibilidade, encanto, sexto sentido, afabilidade, poesia, ternura. Enfim sobram adjetivações. No trato por exemplo dos compromissos afetivos e conjugais, alguém já ouviu falar em terno de noivo, gorro ou chapéu de noivo. Se for mulher, quantos adereços, perfumes,  bens ornamentais se destinam a elas, noivas. Vestido de noiva, véu de noiva, convite da noiva, noivado (da noiva). Ao ouvir o termo noivado, qual lembrança vem logo ? Claro que ela, a noiva. O noivo vem depois como mero acessório.
Basta parar e refletir sobre o papel e os  rituais esponsalícios. Tome como exemplo a celebração religiosa. Alguém presta atenção na entrada do noivo na igreja ?  Só se ele atrasar ou cometer alguma gafe ou deslize na hora do sim. Tudo e todos os olhares, câmeras e filmagens estão voltados para ela, A Noiva.  O vestido, o véu, o buquê de flores, suas maquiagens , adereços e sua expressão de felicidade. Não remanesce controvérsia de que casamento parece uma convenção e celebração feminina. Basta um olhar mais atento e considerar que até os padrinhos e madrinhas, as crianças acompanhantes  que fazem o séquito da noiva adquirem signos e cores diferenciadas. Tudo voltado para ela, símbolos e signos da feminilidade.
Eu, de minha parte quando fui casar e receber a minha ex-noiva (Sandra Regina Araújo), hoje minha esposa, guardo vivamente essas imagens. Ela toda bela, airosa, elegante, entrando com todo aparato na igreja e o aqui mero figurante lá atrás nas fileiras dos presentes , praticamente anônimo. Nesse quesito foi até reconfortante, dado que sou mais tímido e recatado.
A questão é que a tradição dos casamentos tem mudado. Hoje não se casa tanto ornamentalmente e majestosamente  como antigamente. As celebrações, os ritos e os arranjos conjugais vêm se modificando. E é compreensível considerando a evolução, os avanços tecnocientíficos , e nesse rol entram também as modificações do comportamento das pessoas, das famílias;  inseridos que estamos na chamada hipermodernidade, era digital, tempos da hiperconectividade e da comunicação instantânea.
Neste janeiro de 2019 eu estou desfrutando da felicidade do casamento de minha filha. Tenho  dois filhos, a primogênita, Andressa e o caçula, Gustavo. Minha filha está me proporcionando a 2ª  maior felicidade, depois da felicidade de seu nascimento. De forma sumária, eu explico como foi esse arranjo nupcial.
Tudo se iniciou com um flerte e vocação natural, um namoro e noivado de 6 anos e a conclusão do enlace conjugal. Antes de revelar o noivado e a união conjugal, aliás estabilíssima, eu conto um pouco de sua infância.
Lá pelo ciclo maternal, 4 anos, 6 anos, 8 anos de idade um dos brinquedos ou mimos de Andressa eram suas bonecas. Com esses objetos humanos ela já instintivamente se fazia passar por babá, por mãe e não raro se representava como médica das próprias bonecas. Nisso pode-se concluir que a natureza é sábia e não faz nada por acaso e por saltos. Ela, aos poucos vai nos mostrando os seus desígnios, a que fomos destinados. Caprichos de nossa existência.  
O primeiro grau se fez no Colégio Agostiniano ; o  segundo grau no colégio WR Goiânia. Dessa fase do ensino fundamental, A Andressa traz construtivas reminiscências, marcas das melhores amizades feitas com colegas de ensino e de seus professores.
No ensino fundamental a Andressa já tinha decidido o alvo de seu principal namoro. A Medicina. Ou seja seu noivado e casamento com a profissão médica já tinham prenúncios na idade das bonecas. Tudo se fez de forma natural. Aos 24 anos de idade ela se graduou (casou) em Medicina pela UFMG –Belo Horizonte MG, em dezembro/2018.
Comparativamente a Medicina se equivale a um noivado e casamento;  uma união conjugal das mais estáveis e duradouras. Pensem bem! Quantas separações e divórcios se dão entre os casados tradicionais ? A chance do médico ou médica se divorciar da Medicina é quase zero. Este sim ! Pode ser considerado um SIM dos mais leais e fieis ,  até que a morte os( profissional e a Medicina) separe.
 Todo enredo desse estável e fidelíssimo casamento se dá assim: Primeiro o (a) jovem tem atração pelo curso. Pede-se então  a mão (consentimento) à universidade via  vestibular ou ENEM. Aceito a relação afetiva (aprovação) inicia-se o namoro. E os primeiros anos constituem de fato um namoro, uma confirmação do amor e afetividade entre o aluno (a) como namorado(a) dessa Arte e Ciência do cuidado da saúde, do bem estar e da vida das pessoas.
Passados os quatro primeiros anos, vêm o 5º e 6º anos, que representam o noivado. Períodos em que os alunos iniciam a fase mais importante do curso. É o contato com as disciplinas de forma prática e com o atendimento aos doentes. Aqui pode-se afirmar que a relação não tem volta. Todos já se sentem meio médicos.
A Medicina em tudo se assemelha ao casamento quando dos rituais da formatura. Até mesmo com os convites aos escolhidos para as cerimônias e baile final. Têm-se a missa com os formandos e familiares, a sessão de colação de grau com a entrega dos diplomas e por último  a grande festa com o baile dos formandos e convidados.
E não esqueçamos que o casamento entre formandos com a Medicina tem o registro no civil, que é o registro no Conselho Regional de Medicina. Tudo a ver. E justiça seja feita, diferente do casamento entre pessoas, tanto o jovem como a jovem médica, recém casados, terão direito e dever de trajar a mesma indumentária, por exemplo roupas brancas. Como o popular jaleco. Esses acessórios de cor branca, são como véu da noiva ou bata de branco para o noivo. 
Por isso minha felicidade e orgulho de participar e ser pai de uma filha médica;  minha herdeira na profissão , Dra Andressa de Souza Neves. A ELA, declaro casada com essa das mais belas profissões, A Medicina; a Ciência e a Arte do cuidado e amparo às pessoas que de alguma forma padece de algum mal, seja este da alma ou do físico.  Parabéns minha filha ,  por me produzir tão grande realização, contentamento e felicidade. Janeiro/2019

com-viver

Os    SEGREDOS DE UMA BOA  CONVIVÊNCIA
João Joaquim 


Com as mídias digitais e as redes sociais vivemos em uma atmosfera social com um intenso e intrusivo patrulhamento do comportamento das pessoas. A internet e todos os seus recursos vieram com esse poder, essa força de vigilância, de crítica e devassa social. E para ser justo, bem justo mesmo, as próprias pessoas ao se exporem  em demasia em suas páginas virtuais é que permitem e dão azo a que outras pessoas, na maioria das vezes desocupadas e vazias façam essa implacável vigilância e patrulha.
Sempre que escrevo e comento sobre as plataformas digitais, com suas ubíquas redes sociais, vêm-me à lembrança uma consideração do semiólogo, filósofo e crítico Umberto Eco (1932-2106). Perguntado pela jornalista Ilze Scamparini( Globo News) sobre a internet, o grande escritor italiano não titubeou: as redes sociais dão direito à palavra a uma legião de imbecis. E continua o entrevistado, “antes eles falavam em algum bar após uma taça de vinha e a conversa morria ali. Agora não, agora eles têm voz e vez”.
 E é isto mesmo. Conforme Eco, muitos têm direito à palavra como um prêmio Nobel. Os usuários da internet, na maioria esmagadora, constituem  um grande rebanho de pessoas sem outros objetivos maiores e mais nobres na vida. Esses recursos da Internet,  para elas, permitem a que façam as interações com o mesmo mundinho que as caracterizam; todos se encontram no mesmo vácuo , nas mesmas frívolas e insossas atividades. Nada fazem, nada produzem, existem num eterno far-niente.
A questão do patrulhamento e da vigilância digital traz-nos no bojo do mesmo tema outras questões das relações sociais que são as referências, as considerações, as titulações, as adjetivações, os apelidos, as apreciações sobre as atitudes e condutas das pessoas, o seu caráter;  e num grau extremo até os insultos que que são trocados. E trocados porque quase todos, insultados e insultadores pertencem ao mesmo jaez, à mesma tribo social.
Quando alguém recebe uma consideração, um comentário sobre si vindo de terceiros, sejam pessoas “amigas”, seja de alguém do ciclo de inimigos, a primeira reação deveria ser esta indagação  : trata-se de uma inverdade, de uma fofoca? Ou ao contrário: esse comentarista está se referindo a alguma característica de fato verdadeira? Um comportamento, atividade ou ato que cometi fora dos padrões sociais? Ora, se for isso necessário se faz uma adaptação. A abelha deve voar e se comportar conforme a ânimo e regras da colmeia, do contrário elas podem ser picadas pelas próprias companheiras.
Dentro dessa análise, como alvo desses comentários, adjetivações ou apelidos entram por exemplo referências étnicas, preferência sexual, cor da pele, etc. Nesses termos, conforme os objetivos e tom do insultador, estamos diante de um crime e necessário se faz gerar um boletim de ocorrência policial e denúncia ou queixa crime no ministério público.
Em suma aquilo que as pessoas dizem a nosso respeito pode ser uma verdade incontestável com a qual eu tenho que conviver. A análise também aqui deve levar em conta o objetivo desse comentarista, dessas considerações e características a mim endereçadas.
Nesse sentido, o tom, a intensidade desses títulos e atribuições. Mais do que  isto , a finalidade dessas atribuições. O inteiro teor, o objetivo desses comentários devem ser levados em conta. Até mesmo quando alguém nos dirige algum insulto, seja ele de que magnitude for, deve-se de forma civilizada e ponderada avaliar os termos empregados. E então de forma educada, polida, e  civilizada responder à altura a esse insultador ou impostor(a).
Há um princípio que afirma: “o insulto só funciona se você beber o veneno”. Assim devemos reagir quando alguém nos fizer alguma referência com intenção de nos irritar, nos desequilibrar ou tirar a nossa calma, a nossa civilidade. De sorte que fica claro que ao receber um veneno, ele só me intoxicará ou fará mal se eu o ingerir. Tomemos alguns exemplos da vida cotidiana.
Se alguém olha para você e o  qualifica de careca, de gordo, de baixinho, de velho, de pé-rapado ou gay. Nesse instante, você deve certificar se  se de fato trata de um atributo falso ou verdadeiro. Nessa circunstância os especialistas em comportamento humano aconselham como reagir. Como exemplo:  Se for um atributo falso e não injurioso ou não preconceituoso. O que revela esse comentário? Nada mais do que a dor moral ou inveja do insultador. Sua frustração, seus distúrbios adaptativos de sociabilidade. Nada além disso. Pode-se  tratar de uma pessoa perturbada e desequilibrada que merece o nosso desprezo. Só isso.
Como fecho desta matéria o que se deixa como dicas para qualquer um de nós é a busca de uma convivência pacífica e civilizada. Cada um de nós deve ter uma cartilha ou código de conduta nas relações sociais e referências ao outro.
Fazer comentários e considerações a respeito de quem quer que seja pode se tornar uma fórmula de inimizade e intolerância das mais biliosas.
Cada pessoa tem o estilo de vida e as escolhas e gostos ao seu sabor, de acordo com os seus valores, sua educação, cultura e formação escolar. Comentar que tal mulher ou jovem escolheu casar para ter um maridão que tudo patrocina para a esposa, que tal opção foi golpe do baú, pode ser a fórmula certa para ódio  , antipatias e muita inimizade. O que temos com isso?  Cada qual que ouça e enxergue conforme sua audição e visão. Inclusive quem está de seu próprio lado.  Janeiro/2019.         
João Joaquim - médico - articulista DM   facebook/ joão joaquim de oliveira  www.drjoaojoaquim.blogspot.com - WhatsApp (62)98224-8810  

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Saúde. Patrimõnio


 A SAÚDE É NOSSO MELHOR PATRIMÔNIO
João Joaquim  


Quando se fala em patrimônio, vem logo à mente de qualquer pessoa a ideia de riqueza, de bens e dinheiro. De fato não está de todo falseado. Na origem a palavra tem o significado de herança dos pais. De Pater+ Monius (de pai+estado ou condição, num sentido abstrato). No princípio, na história da humanidade, o termo tinha este significado, todos os bens, apólices, direitos deixados de pai para os filhos. Com o tempo, a semântica alargou o sentido da palavra.
Bem pensado, poderia  dividir o patrimônio em duas categorias. Um patrimônio material constituído  de bens materiais e dinheiro  em espécie ou creditado em bancos. E um patrimônio imaterial (em sentido abstrato). Se perguntássemos a várias pessoas qual o melhor patrimônio imaterial que elas prefeririam, certamente que as respostas seriam as mais díspares . Alguns exemplos: uma sólida formação cultural e acadêmica, uma denominada titulação profissional, fama e celebridade, uma habilidade nessa e noutra arte, talento num determinado esporte, um relacionamento afetivo e conjugal feliz. Entre outras possibilidades.
O aqui modesto e noviço escritor tem também sua preferência pessoal, e dela discorrerá neste artigo. Considero a saúde como um dos maiores patrimônios abstratos que possa ter a pessoa. Para tanto, vamos iniciar pela noção de saúde. Definição ampliada conforme OMS- Organização Mundial de Saúde. Saúde é o pleno bem estar físico, mental, social, emocional e afetivo.
Para melhor compreensão, vamos simplificar esses estados à luz das ciências médicas atuais, era da hipermodernidade ou época digital. A medicina preventiva e curativa de hoje tem plenas condições de promover profilaxia e cura para muitas doenças incuráveis, incapacitantes e de alta mortalidade,  se estivéssemos  no início do século XX. Como exemplo desses avanços as vacinas e soros para muitas doenças infeciosas. Sarampo, varíola, poliomielite e tuberculose como modelos. Sarampo e varíola estão extintas, poliomielite em vias de Sê-lo, tuberculose plenamente curável e sem deixar sequelas .
Na saúde física, ainda que o indivíduo seja portador de uma doença crônica e incurável, tem-se a solução com  uma boa qualidade de vida. Nesse rol de doenças crônicas  temos a hipertensão arterial, o diabetes mellitus, a asma, as cardiopatias, os aneurismas cerebrais, as arteriopatias periféricas, as hepatites, etc.
Mesmo quando o indivíduo é vítima de uma emergência como um infarto do miocárdio, um derrame cerebral ou uma grave lesão acidental. A medicina cirúrgica dispõe de técnicas refinadas e prontas respostas na cura das pessoas. Com total  reabilitação do paciente para sua vida social e profissional e  o mínimo ou ausência de sequelas.
Saúde mental. As muito doenças mentais crônicas e incuráveis têm pleno controle através de psicoterapia e psicotrópicos. São os casos das esquizofrenias e do transtorno bipolar. Os psicofármacos para esses diagnósticos têm eficácia plena e torna o paciente apto ao convívio social e ao trabalho. As especialidades médicas representadas pela neuropsiquiatria, pela psicanálise, pela  psicologia oferecem múltiplas opções terapêuticas para doenças psíquicas que afetam um percentual enorme de pessoas. Temos como exemplos os transtornos de ansiedade, a depressão e muitos outros distúrbios do convívio e das  relações humanas.
Dentro do conceito de saúde emocional e afetiva existe uma lista imensa de possibilidades. Basta imaginar o quanto a pessoa humana é susceptível de adoecer através das conexões psíquicas, emocionais e afetivas. Nesse campo de abrangência muitas são as formas de adoecimento do indivíduo. São as múltiplas possibilidades das relações intersociais. Pais e filhos, namorados, conjugais, interprofissionais, nas organizações de empresas, patrões e funcionários, entre outras. Nessas soluções entram as terapias de família, a constelação familiar, a psicopedagogia, a psicologia do trabalho, a gestão humanizada na área de recursos humanos.
Por fim o conceito de saúde social e até saúde religiosa, obviamente para aqueles que creem em Deus, caso professem alguma religião ou doutrina. E mesmo para os que se intitulam ateus ou agnósticos, se esses encontram um outro sentido sobrenatural para além da vida terrena e biológica. Em termos práticos e resumido quais os requisitos fundamentais para uma saúde plena, física e mental ?
- Moradia digna. Isso significa ter um abrigo, de preferência casa própria, que seja também uma residência com todas as condições sanitárias porque uma construção insalubre vai  igualmente adoecer os seus habitantes.
- Transporte seguro e confortável, seja em veículo próprio ou coletivo.
- Alimentação saudável e qualitativamente correta. Que o indivíduo tenha ao menos 4 refeições ao dia. Atenção! -  alimentar bem não significa ingestão de muito alimento. O mais saudável é o critério qualidade.
- Trabalho digno e remuneração justa. Isto implica condições sanitárias e seguras no ambiente de trabalho; e que as relações de trabalho sejam as mais respeitosas e humanizadas.
 A perda de qualidade nesses principais setores da vida, torna a pessoa susceptível de adoecer. Não são apenas as danos físicos e orgânicos. Entram nesse cardápio as doenças psicossomáticos. A frustração, a insegurança, a insônia, as angústias do cotidiano levam o indivíduo a adoecer também do soma, do corpo e órgãos internos . É como se fosse a janela da alma. Através da mente e das emoções todo o corpo físico se torna sensível e pode adoecer. São exemplos as dores crônicas, as gastrites, a hipertensão arterial, as arritmias, as insônias , as úlceras gástricas , e até o infarto, o derrame cerebral e morte súbita prematura.  Dezembro/2018.    


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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

DRS BUMBUNS


POR QUE SE MORRE TANTO EM  CIRURGIAS PLÁSTICAS E ESTÉTICAS ?
João Joaquim 



Uma vez mais, o Brasil e o mundo, puderam assistir e constatar o quanto a aparência sobrepaira e supera a essência que deveria imperar ao lado da existência. Nesse sentido estão por aí todas as ofertas de estética, de cosmética, de plásticas, de tanta coisa sintética que foi-se parar no lixo a esquecida deontologia e mesmo morrer  qualquer diretriz ética. As rimas vieram de forma casual. 
Paralelamente a tamanho descalabro de império das aparências, vieram a lume outras questões por demais encontradiças do Brasil contemporâneo. Qual é a diferença entre o que é legal, o que é lícito e ético em nosso país?  Existe uma sigla PQD que encerra uma pergunta emblemática para nortear as ações humanas em sociedade. Será que tudo que eu posso e quero eu devo fazer(Posso-Quero- Devo ?).  Tal instigante questão nos reporta ao Eclesiastes que nos adverte: tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.
O caso modelo do mês  refere-se a mulher que insatisfeita com suas nádegas (glúteos) procurou um cirurgião plástico sem as necessárias credenciais e qualificação para tal procedimento. Ato contínuo, e sem as necessárias cautelas da paciente, o procedimento se deu na própria residência do profissional, bairro da Tijuca RJ. Houve complicações e a mulher veio a falecer. Pior que isso, no caudal de tamanho escândalo e desmedida insensatez vieram outros casos ao conhecimento público das autoridades, que agora estão a investigar tais ilícitos e criminais atuações profissionais pelo Brasil a fora .
Eis que então várias perguntas foram trazidas a público.
 Do lado da falecida. Como uma mulher, na madureza da vida, tida e havida como bem informada, se deixa ser operada, com um procedimento altamente invasivo, com injeção corporal de substância de alto poder de cair em vasos , e com isso provocar embolias de toda ordem, emergência essa das mais letais , por um profissional charlatão? O produto em questão foi o polimetilmetacrilato – pmma .
Pior do que charlatão, em um cenário não hospitalar, sem as elementares condições assépticas e de assistência emergencial na hipótese de complicações no curso transoperatório.
Basta lembrar que qualquer procedimento que envolve sedação, analgesia e anestesia tem o potencial de complicações. Entre essas, de maior frequência, têm-se a hipóxia, a convulsão, a hipertensão ou hipotensão arterial, as arritmias cardíacas, as tromboses, infarto do miocárdio e embolias. Todas de alto risco de morte súbita ou tardia em uma UTI; quem sobrevive pode portar sequelas pelo resto da vida .
Do lado do profissional -Como um sujeito que se diz médico, propõe a fazer um procedimento invasivo, em sua própria residência, sem os meios de monitoração das condições vitais e aparelhos de assistência emergencial, em caso de uma complicação perioperatória, que coloque em risco a vida do paciente?
Do ponto de vista ético e técnico e científico é no mínimo um sujeito abestalhado, aventureiro e irresponsável. São requintados erros de imprudência, negligência e imperícia médica. Conforme vem noticiando a imprensa, o infausto profissional da vez tem no curriculum vitae, um histórico de erros médicos, processos ético-profissionais, suspensão  do exercício profissional e até participação em homicídio. Como noticiado, o dito-cujo profissional tinha registros nos conselhos de medicina de GO, do DF e RJ. Como tais disparates são aceitáveis? No Brasil pode.
Do lado do conselho profissional (CRM);  como se permite ao auto intitulado médico, com uma folha corrida eivada de malfeitos, continuar no seu múnus de cuidar da saúde, das doenças, da vaidade e vida das pessoas?
Onde está consignado na cartilha do código de ética médica que um profissional com tais qualificadoras possa continuar exercendo um ofício tão nobre? Qual seja, o de promover a saúde, o bem estar, a vida e a felicidade das pessoas.
E por fim, Do lado da justiça. Como bem o expressa, a Justiça (com J maiúsculo) existe para fazer justiça. Simbolicamente, a deusa Témis, da mitologia grega, traz consigo uma balança (equilíbrio) e uma venda nos olhos. Por que de tais adereços? Julgar com equilíbrio e sem um juízo dos olhos, sem olhar a quem está aplicando justiça. Para esses objetivos em que se baseiam os operadores de justiça?
Em indícios, em relatos de testemunhas, em provas concretas de documentos, fatos, perícias. Como compreender, assimilar, aceitar a decisão de um magistrado que ante todas as provas de imprudência, imperícia e negligência libere um profissional médico para o exercício profissional? Tal natureza de decisão tem sido um fato recorrente em nosso país. Um médico comete lá um determinado ilícito, um grave erro no atendimento a um paciente, ele é suspenso do exercício profissional, vem uma liminar judicial com a permissão ao referido investigado o cassado profissional  a que volte a atuar em sua especialidade.
Por isso ficam aqui essas inquirições que nos inquietam, o que é ética, o que é lícito e legal neste país?
No caso líquido e concreto em foco dos erros médicos ficam aqui algumas diretrizes. Médico se equipa a muitas outras profissões. A um ourives, a um sapateiro, a um advogado ou jornalista. Assim como há os rábulas e chicaneiros na advocacia, há os charlatões da saúde. Já disse em outros artigos que o pior charlatão em saúde é aquele que faz uma faculdade e tem diploma. Com o diploma, o indivíduo tem autorização ética (conselho de medicina por exemplo) e legal para fazer o bem ou o mal . No Brasil com mais uma esquisitice vigente. Qualquer médico pode fazer procedimento de qualquer especialidade. Os conselhos de medicina e a lei assim o permitem. Não deveria ser. Mas é assim em nosso pais.
Então a melhor segurança é: observar o histórico do profissional na comunidade onde ele atende. Se informar sobre os pacientes por ele atendidos. E mais importante, se informar no conselho de medicina e na sociedade da especialidade. Com esses dados em mente se torna muito mais seguro passar por qualquer procedimento cirúrgico ou invasivo. E importantíssimo, fazer  exame pré operatório com um Cardiologista, além dos hematológicos indispensáveis para o procedimento.   Agosto/2018.  

João Joaquim - médico - articulista DM   facebook/ joão joaquim de oliveira  www.drjoaojoaquim.blogspot.com - WhatsApp (62)98224-8810

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